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sexta-feira, março 14, 2008

Segundas Jornadas Iberoamericanas sobre Leitura e Escrita


La AELE organiza las Segundas Jornadas Iberoamericanas sobre Lectura y Escritura: Red de Ciudades y Pueblos Lectores y Escritores (Red CPLE).
Programa de las Jornadas
Acceder al FORMULARIO DE INSCRIPCIÓN
Fecha:
desde el 30 de mayo (viernes) al 1 de junio (domingo) de 2008.
Lugar:
Madrid, en La Casa Encendida, Ronda de Valencia, 2.
Destinatarios:
Profesionales en el ámbito de la educación y de la animación a la lectura.
Otros profesionales relacionados con el mundo de las letras y la salud: psicología, literatura, periodismo, medicina, biblioteconomía, psicología, literatura, etc.
Estudiantes de carreras afines a la temática de las Jornadas.
Personas interesadas en conocer la Red CPLE y las distintas acciones que la misma desarrolla.
Las jornadas pretenden:
Servir de plataforma comunicativa para producir ideas innovadoras relacionadas con “dejar leer” y “dejar escribir” a los niños y a los jóvenes en distintos contextos sociales.
Favorecer el intercambio de experiencias de lectura y de escritura, entre ellas, las generadas en el contexto de la Red CPLE.

A Lua de Joana


Muitos autores consagrados como José Gomes ferreira ou Miguel Torga escreveram diários pessoais onde pretendiam, de alguma forma, transpôr para a posteridade as suas convicções, opiniões, sentimentos e visões da vida e do mundo onde estavam inseridos.
No que diz respeito à literatura juvenil, quem não conhece o Diário de Ann Frank escrito em condições muito adversas, para a autora, e cujas palavras serão certamente recordadas por todas as gerações passadas e vindouras que tiveram acesso este livro .
Hoje, vimos falar-vos do Livro de Joana, de Maria Teresa Maia Gonzalez e da importância de estarmos atentos a nós e ao outro, e de sermos capazes, como diz o Padre Feitor Pinto, de "em conjunto, percorrer um caminho que conduza a uma vida plena..."

segunda-feira, março 10, 2008

Informações - Concurso Literário


Concurso Nacional Literário Conto Infantil - Prémio Matilde Rosa Araújo

De 2008-01-02 até 2008-04-02


Câmara Municipal da Trofa


A Câmara Municipal da Trofa lançou a 7.ª edição deste concurso dedicado ao conto infantil. Podem concorrer cidadãos portugueses ou estrangeiros, desde que radicados em Portugal há mais de dois anos, sem livros publicados. O desafio é escrever um conto infantil, criativo e original, com uma alusão ao concelho da Trofa. O melhor conto integrará o Programa Oficial da Área Metropolitana do Porto, em 2009.


Prazo o envio dos trabalhos: 2 de Abril de 2008


Regulamento e outras informações: www.mun-trofa.pt/cultura/

Lembrando o Dia Internacional da Mulher-8/Março


No livro “Matilda” de Roald Dahl a personagen feminina é reequacionada, reexaminada e os schemata (Iser, 1993:45) textuais construídos como estratégias no interior do texto, dão corpo a uma verdade não verbalizada, mas oculta, que permite um reajustamento, por parte dos leitores, levando a uma mudança de identidade do papel do feminino.

Matilda é um génio: Com a idade de 4 anos já tinha lido todos os livros da secção infantil da biblioteca local e por isso necessitava de algo mais que a fizesse saciar a ânsia de conhecimento e divertimento. Assim partiu decididamente rumo a Dickens, Austen, and Hemingway.
Paralelamente, desenvolvia altos conceitos matemáticos e tinha uma compreensão do mundo muito para além do que seria normal, para uma criança daquela idade.

Infelizmente, os seus pais não conseguiam reconhecer-lhe o talento nem apreciar a bonita pessoa que era. De facto, eles olhavam para ela de uma forma pouco respeitosa, porque Matilda passava a maior parte do tempo a ler, o que para eles era umamaneira pouco saudável de viver a vida....
Com o tempo, Matilda desenvolveu poderes especiais que a protegiam das atrocidades verbais, quer dos seus horríveis pais, quer dos seus professores.
Bom, mas para saber mais sobre esta rapariga formidável, só mesmo lendo a história...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

The Magic Barber


Fantástico contar histórias!
Os leitores ávidos são aqueles que parecem estar sempre imersos na leitura.Podemos dizer isto por outras palavras: estar perdido na leitura ou estar a ter uma experiência virtual.Esta ligação com as histórias é também o que se chama ler por prazer que é a oportunidade de voluntariamente lermos coisas que não experiênciamos e que mesmo nunca viremos a experiênciar mas que nos levam a comprar um livro ou a ir a uma biblioteca requisitá-lo.
Os professores aproveitam e capitalizam esta tendência usando a literatura, especialmente a ficção narrativa, para criar entusiasmo para as disciplinas que ensinam.É o caso da nossa escola onde regularmente os professores de inglês visitam a biblioteca para, em inglês, se contarem histórias aos alunos.
Hoje, foi a vez de se contar a história do Magic Barber, de John Milne, da Editora Heineman, que chega a uma cidade que usava chapeus pretos de variadas formas e que com as suas palavras mágicas transforma o cabelo de todos em diversas cores e feitios.
"Snip! Snip!
Up and down!
Round and round!
An off it comes!
Mas... o resto só mesmo houvindo a história...


E eu? Que tal fico com um round hat?

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Grandes Classicos contados às crianças



Do teatro ao cinema e à banda desenhada os grandes clássicos da literatura têm sido profusamente adaptados, recriados e traduzidos.
Figuras nascidas nas letras, como Dom Quixote, Vasco da Gama, Bewolf e Gulliver, entre outros, encontram-se hoje nas prateleiras de qualquer livraria e ganham novos rostos reinventadas por cartonistas, cineastas, ilustradores e escritores.
Enquanto que, a maioria das vezes, tendemos a considerar as adaptações cinematográficas e de banda desenhada como novas produções estéticas, porque implicam uma nova linguagem utilizada (o filme e o desenho) já com as adaptações que utilizam o mesmo suporte (a escrita) somos mais comedidos nas apreciações, mais convencionais e tendemos a considerá-las, à priori, de menor qualidade.
A possibilidade de recriar textos numa tentativa de os tornar mais agradáveis sem que eles percam a sua essência é portanto o grande dilema das adaptações.
Ninguém, hoje em dia, fora dos círculos académicos lê, por exemplo, o “Bewolf”, escrito em inglês medieval com incidências germânicas nem o “ Paraíso Perdido “ de Milton com os seu versos brancos e muito complicados sintacticamente, diz Sophii Gee, crítica literária do New Tork Times.
Sendo assim, será preferível encontrar novos formas de difusão, novos suportes, novas formas de ver, olhar ou mesmo escutar os clássicos da literatura?
Na nossa modesta opinião, as reescritas, criando um produto completo, não precisam ser um caminho para se chegar ao original que as inspirou, elas podem valer por si próprias. Tudo depende da qualidade de quem escreve a história, de quem ilustra a história, de quem dirige o filme ou de quem cria a banda desenhada.
A arte é sempre apreciada por si própria e ela também é, ela própria, fruto de influências, intertextualidades, reescritas, memórias, ligações que se foram entrecruzando através dos tempos…
No caso das adaptações de grandes clássicos para Literatura Infantil e Juvenil as premissas são as mesmas no que respeita às perdas e ganhos. Perde-se agora o contacto com o autor original mas ganha-se o contacto com a essência da história. Esta, se foi bem recriada, proporcionará uma nova experiência estética através dos paratextos, estrutura, pontos de vista e personagens que, por sua vez, encaminhará o leitor para novos efeitos perlocutivos, para novas respostas pessoais e colectivas perante esta nova leitura.
A memória dos antigos é assim tirada dos alfarrabistas e é mantida viva, pois a reconstrução das suas histórias baseou-se certamente numa lealdade para com o novo leitor, mas também, sem dúvida, para com eles próprios.

sábado, fevereiro 16, 2008

Identidade Intercultural


Se identidade implica, um processo de diálogo com vista à recriação e reconstrução, através do texto, também poderá ser entendida como um processo de manutenção de determinados traços culturais e das relações que eles estabelecem com outras características culturais diferentes.
Em “Making Sense” de Nadia Marks, escritora de origem cipriota criada em Londres, retrata-se a vida de uma adolescente que como ela teve que viver num país diferente: “Up until I moved to England, just three months ago, I knew exactly who I was, Julia Lemonides, fourteen years old, confident, popular, artistic, lively (…).” Em Chipre, Júlia tinha tudo: amigos, confiança, gloriosos dias de sol… agora em Londres teve que começar tudo de novo, sentindo-se uma outsider. O seu carácter fortemente determinado e o sentido de humor fizeram-na, aos poucos, recriar a sua identidade e adaptar-se ao novo clima e cultura, daquele país tão diferente e que ela tinha que abraçar por força das circunstâncias.
Desta forma, podemos pensar o ensino da arte/literatura como um poderoso instrumento para revitalizar e resgatar a identidade, a diversidade e as singularidades culturais, na medida em que através destes percursos narrativos, se podem ultrapassar e romper barreiras ao mesmo tempo que se reflecte em torno dos princípios axiológicos fundamentais ao reconhecimento da alteridade, imprescindíveis ao constructo humano.
Se a literatura como dizem Austin (1962), Searl (1983) e Iser (1978) se assemelha ao modo do acto ilocutório, “ (…) It takes on an illocutionary force, and the potential effectiveness of this not only arouses attention but also guides the reader’s approach to the text and elicits responses to it.” então, poderemos dizer que, a literatura infantil e juvenil tem uma ponderosa força perlocutória, impelindo à acção, apesar da manutenção do seu carácter ficcional. Assim, a leitura faz-nos reexaminar, por vezes, as convenções sociais e individuais perspectivando novas formas de estar e de sentir o mundo.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Igualdade e diferença

Durante a leitura da obra, The Most Magnificent Mosque, de Ann Jungmann, o leitor competente e crítico estabelecerá certamente, total ou parcialmente, uma ligação com o tema da diversidade religiosa e cultural e da convivência multicultural.
No início do século oitavo os árabes conquistaram o sul de Espanha e a bonita cidade de Córdoba onde construíram uma mesquita que se tornou na segunda maior do mundo islâmico. Nela três rapazes brincaram nos seus magníficos jardins: Rashid, muçulmano, Samuel, judeu e Miguel que era cristão. Quando da reconquista cristã, em 1236, pôs-se seriamente o problema da sua demolição para se construir, em seu lugar uma igreja católica. Os três rapazes, agora adultos, foram ter com o Rei Fernando implorando pela bela Mesquita:

“I am here to plead for our mosque on behalf of all the Christians of Córdoba, cried Miguel.
I am here on behalf of all the Jews of Córdoba, said Samuel.
And Sire, I speak for the Muslim citizens. Spare our mosque! Cried rashid.”

No entender de Ralf Darendorf (1996:17), a heterogeneidade constitui o verdadeiro teste à consistência da identidade europeia. Ele acrescenta que “Common respect for basic entitlements among people who are different in origin, culture and creed prove that combination of identity and variety which lies at the heart of civill and civilized societies.”
Através de Rashid, Samuel e Miguel podemos referir, como Castells (2003:3), que toda e qualquer identidade é construída e baseada no conhecimento do território vivencial. Contudo, apesar de ser construída a identidade tem uma característica estática e não é imutável pois:
“São resultados sempre transitórios e fugazes de processos de identificação. (…) Escondem negociações de sentido, jogos de polissemia, choque de temporalidades em constante processo de transformação, responsáveis em última instância pela sucessão de configurações hermenêuticas que de época para época dão corpo e vida a tais identidades."(Santos, 2002:119)
A identidade é assim compreendida numa dialéctica de igualdade e diferença, proporcionada pela transacção entre texto e leitor que conduz à recriação da identidade do segundo e ao mesmo tempo remete para a textualidade de todas as relações humanas. Como diz Hartman (1980: 271):
We read to understand, but to understand what? Is it the book, is it the object revealed by the book, is it ourselves? (…) yet what we gain is the undoing of a previous understanding. (…) Reading itself becomes the project: we read to understand what is involved in reading as a form of life (…). "

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Papá chega-me a lua

Quando, no livro de Eric Carle (2006) “Papa, please get the moon for me”, traduzida para castelhano por “Papa achega-me a lua”, da editora Kalandraka, a menina pede ao pai que lhe chegue a lua, pois ela, ao vê-la ali tão perto e tão bonita, apetece-lhe colhê-la. Porém a tarefa não é fácil e o pai necessita de uma escada muito comprida para conseguir satisfazer os desejos da filha.
O texto verbal e icónico, aqui apresentado, poderá referir um sistema de equivalências de sentidos infinitesimais que podem ser estabelecidos no processo de leitura porque “ (…) meaning is imagistic” diz Iser (1997:2) e “ (…) os níveis de realidade que a escrita suscita, a sucessão de véus e de escudos talvez se afaste até ao infinito, talvez apareça sobre o nada.”, acrescenta Calvino. (1995:391)
Se o significado de um texto é imaginável e pode aparecer sobre o nada, então, poderemos imaginar também que alguns pequenos e jovens leitores, depois de estudarem o processo que levou à constituição da União Europeia, considerariam que a lua, desta história, poderia transformar-se na bandeira da união europeia. Aliás o céu azul e as estrelas amarelas das ilustrações levan-nos directamente para esse quadro. Por outro lado, a escada interminável, utilizada pela personagem pai na história, poderá representar os cinquenta anos que mediaram desde a assinatura do primeiro Tratado, no longínquo ano de 1957, até à aprovação do Tratado Reformador assinado no passado mês de Outubro, em Lisboa.
Criando desordens significativas, ou inúmeras possibilidades interpretativas este texto assumiu-se assim, na sua relação com o leitor e restituiu-lhe o seu papel preponderante na continuidade do fenómeno literário, dizia Eco. (2004:177)
Esta preponderância do leitor contribuiu para a identidade desse mesmo texto, que neste caso foi conseguida pela atribuição de um quadro de referências do mundo empírico-histórico factual, não só relacionada com a problemática da integração europeia mas também (…) “from lexical meanings to the constellation of characters.” (ISER,1997:34). Ou seja, dos significados lexicais proporcionados pelos objectos reais, em cena, como sejam, a escada e a lua, à constelação de personagens, do pai e da menina, que poderiam ser eles próprios objecto de análises poderosas.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Territórios Identitários Europeus

Muitas vezes, os textos ligam-se simbióticamente com o mundo empírico histórico factual e são mais permeáveis às realidades sociais e extratextuais.
No livro “O mundo em que vivi” de Ilse Lose, escritora nascida na Alemanha, que por força da sua ascendência judia teve que fugir do seu país e refugiar-se em Portugal, acabando por adquirir a nacionalidade portuguesa, neste livro, dizíamos nós a assumpção de um território identitário remete para Berlin dos anos 30, época pouco gloriosa da Alemanha.
À medida que o texto nos conduz da infância à idade adulta da personagem Rose, de uma Alemanha saída da 1ª guerra mundial até ao avolumar das crises de inflação, desemprego e vitória dos nazistas, há uma felicíssima viagem simbólica que é dada pela associação da aproximação de uma trovoada à catástrofe iminente que iria acontecer:

(…) ao evocar-nos assim, de coração oprimido, não posso deixar de pensar nas grandes tempestades que abalavam a minha terra. Era como se alguém começasse a medir a distância da trovoada, o tempo entre o relâmpago e o trovão. Cada quilómetro significava um ano. (…) Um estrondo medonho faz estremecer a terra, e uma voz cheia de horror exclama: Agora está mesmo por cima de nós!”
Lose, 1997
Neste contexto, a reprodução de características do mundo empírico-histórico factual “ (…) serves to highlight purposes, intentions, and aims that are decidedly not part of the realities reproduced” como diz Iser, (1997.3), e permite, também converter essa mesma realidade “(…) into a sign for something other than themselves.”, que neste caso é a construção da realidade europeia que teve as suas origens depois da terrível experiência do holocausto, constituindo a sua consolidação, que neste texto se antevê, num desafio para todos os países, um apelo à tolerância activa e à solidariedade responsável.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

A natureza na literatura Infantil


Se a literatura pode ser uma mentira, como Iser refere, ela também é um modo operacional que abre caminhos para diferentes versões da nossa própria casa, do nosso próprio mundo. Nesta abertura de caminhos tem um papel preponderante, segundo a teoria da estética da recepção, o observador, que no processo de leitura analisa a interacção texto/leitor, não como acontecimento produzido apenas pela imaginação do leitor, mas pela intersecção de normas históricas, sociais e linguísticas. O autor e o leitor perdem assim a subjectividade. O autor abandona toda a intenção e o leitor torna-se dotado de competência semiótica e intertextual.
Assim, a indeterminação ou os espaços em branco (Eco, 1971:36) proposta pelos textos, não são uma fraqueza do sistema literário, mas uma qualidade essencial que permite o compromisso criativo. Na obra da escritora italiana Iela Mari “L’Albero” publicada em castelhano pela kalandraka com o nome “As Estacións” é dada ao leitor quase todo o poder para fazer as significações desejadas consubstanciando-se no que Eco chama de obra aberta que tende “ (…) a promover no interprete (actos de liberdade consciente), a pô-lo como centro activo de uma rede de relações inesgotáveis (…)”. Desta forma a ficção torna-se um acto de ultrapassar fronteiras – reais e ficcionadas.
Por virtude da celebração da plasticidade da literatura e num discurso pictórico em que as cores vão revelando as vozes enunciadoras da problemática em causa porque “ (…) A arte, enquanto estruturação de formas, tem modos próprios de falar sobre o mundo e sobre o homem” (Eco, 1971:36), poderá acontecer que ao falarmos da passagem das estações por esta árvore, o L‘Albero, o leitor vá recordando a necessidade da protecção da floresta, tema tão contemporâneo, a par das inferências possíveis ao tema da preservação da nossa casa comum, a terra, num quadro de uma visão não cartesiana da natureza onde todas as criaturas vivas têm direito ao seu espaço vivencial.
Esta obra poderá também recepcionar-se pelo sentimento da paisagem, sentimento intelectual e afectivo que se consubstancia pela necessidade de construção de habitats ecologicamente seguros. O esquilo, que tem que mudar de casa consoante as estações, responde a variáveis antropológicas das valências do lugar, indiciando diferentes formas de viver num espaço – tempo – movimento, mas sempre pugnando por encontrar nele um lugar reconhecível, como lugar destinado aos seres humanos e aos animais.
Mais uma vez, a literatura tornou-se um modelo operatório que abriu caminho para diferentes versões do mundo que se consubstanciam em diferentes identidades intimamente ligadas à relação entre texto e leitor pois, implicaram uma troca contínua de pedidos e ofertas entre ambos, onde o objecto literário ganhou uma carga simbólica pela importância da mente do leitor na atribuição do sentido do mesmo. (Fish, 1984:50)

quinta-feira, novembro 29, 2007

VIII Encontro de Literatura Infantil


LER+ DESDE A IDADE DO BERÇO

Auditório Municipal de Vila Nova de Gaia

5 de Dezembro de 2007



Programa e incrições em:

http://www.utad.pt/pt/eventos/viii_enc_lit_infantil.pdf

terça-feira, novembro 27, 2007

Histórias com "identidade europeia"?


No livro Wie schemekt der Mond, traduzida para português com o título A que sabe a Lua?” de Michael Grejniec, todos os animais queriam averiguar a que sabia a lua: ” Era doce ou salgada? Só queriam provar um pedacito. À noite, olhavam ansiosos o céu. Esticavam-se e estendiam os pescoços, as pernas e os braços, tentando atingi-la.
A tartaruga resolveu escalar a montanha mais elevada mas não podia tocá-la. Então chamou o elefante e depois a girafa, e depois a zebra e depois o leão e depois o raposo e depois o macaco e por fim o rato que arrancou um pedaço. “ Saboreou-o satisfeito, e depois foi dando migalhas ao macaco, ao raposo, ao leão, à zebra, à girafa, ao elefante e à tartaruga.”
E a lua soube-lhes exactamente àquilo que cada um deles mais gostava.” porque a indeterminância textual aponta, por um lado, para uma fuga tendencial ao sentido, que impede que se fixe ao texto uma verdade última. O texto constrange positivamente ao jogo intertextual em que se dá à leitura, remetendo, deste modo, o leitor para a textualidade característica de toda a experiência. (Iser, 1977:33)
A que é que a lua sabe, a um leitor, será certamente diferente do que sabe a lua a outro leitor, porque a recepção do texto verbal e icónico é conseguida pelo duplo princípio da diversidade e da divergência. Contudo, algumas vezes, pode-se convergir para um mesmo objectivo e a consciência dessa necessidade é apontada pelos animais desta história.
A convergência do mundo empírico - histórico - factual e do virtual/ficcional, proposto pela literatura de recepção infantil e juvenil, pode romper fronteiras que separam um país de outro, mas também podem quebrar as fronteiras que separam pessoas de objectos: a lua estava longe mas o engenho e a arte dos animais determinaram o alcance dos objectivos que era tão simplesmente saber a que sabia a lua.
Também a convergência do local com o global europeu poderá estar na essência da construção de uma nova identidade sem perda da identidade primordial, porque o leão continuará a ser leão, o elefante continuará a ser elefante, a girafa continuará a ser girafa e assim sucessivamente...

domingo, outubro 14, 2007

Uma história que vem da Finlândia

AAron Shepard é autor de muitas histórias infantis que têm como ponto de partida, para os contos que cria, as lendas de muitos países do mundo.
Esta história que ainda não está traduzida para a língua portuguesa, pode no entanto ser contada por mediadores que tenham alguns conhecimentos da língua de Shakespeare.
Conta a história de Mikko que, tal como o seu irmão tinha feito, tem que escolher uma noiva para casar. Contudo, para escolher a sua noiva é costume Finlandês cortar-se uma árvore e a direcção em que a árvore cair deverá ser aquela em que a noiva tem ser procurada. Para espanto de Mikko a árvore caída apontava em direcção a um bosque profundo e frio... Que tipo de noiva poderia ser encontrada naquele lugar inóspito?
Mas tradição é tradição e Mikko pôs-se a caminho com coragem e aí encontra a mais inesperada namorada, aquela que prova que, com coração e mente abertos, o amor pode ser compensado da forma mais surpreendente e inesperada...
As ilustrações do russo Leonid Gore, actualmente a viver nos Estados Unidos, que se situam entre o realismo e a pasticidade etérea dos países nórdicos, conjugam-se de forma simbiótica com as palavras formando um todo de muita beleza artística.
ISBN 0-689-82912-4
Editora: Atheneum Books for Young Readers

quarta-feira, setembro 19, 2007

A princesa Pocahontas

Pocahontas é a filha do grande chefe Powhatan que vive com a sua tribo, nos verdes vales e majestosas montanhas da América. Um dia, enquanto sai com os seus amigos à procura de ursos, observa que a ilha está a ser invadida por colonos brancos comandados pelo capitão John Smith. As duas raças tornam-se inimigas até Pocahontas fazer amizade com o capitão branco, usar todo o seu amor e engenho para unir as duas frentes opostas e tornarem-se para sempre amigos da paz.
Este livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, adaptado de uma lenda medieval, apresenta-nos uma Pocahontas espirituosa que tem uma constante relação com a natureza e cujos pensamentos são mais profundos do que se vê na superfície. Ao mesmo tempo, ela também tem um aspecto travesso e brincalhão, mas que não a impede de lutar pelos seus direitos e os do seu povo, bem como ir contra as convenções estabelecidas, apaixonando-se por um homem de outra raça e credo.
No post abaixo podemos ouvir a música "Just around the river bend" que acompanha o filme onde Pocahontas expressa o seu amor pela natureza e tece considerações sobre a sua vida:
What I love most about rivers is:
You can't step in the same river twice
The water's always changing, always flowing
But people, I guess, can't live like that
We all must pay a price to be safe,
We lose our chance of ever knowing
What's around the riverbend
Waiting just around the riverbend
I look once more just around the riverbend
Beyond the shore where the gulls fly free
Don't know what for what I dream the day might send
Jut around the riverbend for me
Coming for me I feel it there beyond those trees
Or right behind these waterfalls
Can I ignore that sound of distant drumming
For a handsome sturdy husband
Who builds handsome sturdy walls
And never dreams that something might be coming?
Just around the riverbend, Just around the riverbend
I look once more just around the riverbend
Beyond the shore somewhere past the sea
Don't know what for ...Why do all my dreams extend
Just around the riverbend?Just around the riverbend ...
Should I choose the smoothest corse
Steady as the beating drum?
Should I marry Kocoum?Is all my dreaming at an end?
Or do you still wait for me, Dream Giver
Just around the riverbend?

Just around the riverbend English version (Pocahontas)

segunda-feira, setembro 17, 2007

Quem disse que a Disney não mudou?

Raparigas fortes ...
MULAN, uma irrequieta jovem, pouco adaptada às tradições milenares da sociedade em que vive, descobre que o seu debilitado pai foi destacado para ajudar a defender a China da invasão dos Hunos. Num acto de bravura e amor, Mulan decide disfarçar-se de homem e toma o lugar do seu pai no Exército Imperial. Mas Mulan precisará de muita ajuda para derrotar o implacável líder dos Hunos, Shan-Yiu. Só seguindo o seu coração conseguirá Mulan transformar-se num exímio guerreiro, trazer a vitória ao seu povo e devolver a tão ansiada honra à sua família:
Reflection é o título da canção que representa Mulan, cuja letra anexo e que pode ser ouvida no post anterior. Vale a pena meditar no que ela nos pretende transmitir:
Look at me you may think you see
Who I really am but you’ll never know me
Every day, is as if I play apart
Now I see if I wear a mask I can fool the world
But I can not fool my heart
Who is that girl I see staring straight back at me?
When will my reflection show who I am inside?
I am now in a world where I have to hide my heart
And what I believe in but somehow I will show the world
What’s inside my heart and be loved for who I am
Who is that girl I see staring straight back at me?
Why is my reflection someone I don’t know?
Must I pretend that I’m someone else for all time?
When will my reflection show who I am inside?
There’s a heart that must be free to fly
That burns with a need to know the reason why
Why must we all conceal what we think how we feel
Must there be a secret me I’m forced to hide?
I won’t pretend that I’m someone else
For all time when will my reflections show
Who I am inside? When will my reflections show who I am inside?

Mulan (Reflection)

Quando uma porta se fecha outra logo se abre...

Por cada porta que abro, mostra-se-me um universo maravilhoso que me deixa escolher entre muitas outras portas. Por trás de cada uma delas está outro universo maravilhoso ...No final, qualquer que seja a Porta que eu escolha, o meu Caminho vai dar sempre ao mesmo sítio: às histórias infantis e juvenis!
Elas mostram-me, por exemplo, que sempre me devo sentir pequena perante a imensidão do oceâno, dos pássaros ou das árvores . Mostram-me, também, que quando tenho de optar entre ficar parada ou dançar...eu certamente que devo dançar, ao som das palavras escritas, que são melodias forjadas de pensamentos de reis e de rainhas e de príncipes e de princesas mas também, de madrastas velhas e bruxas feias. Estas, contudo, por muito horríveis que sejam, não conseguem impedir-nos de chegar às montanhas longínquas nem de deixar o nosso coração amargo.
Como diz a canção deLee Ann Womack - I Hope You Dance:

I hope you never lose your sense of wonder
You get your fill to eat but always keep that hunger
May you never take one single breath for granted
God forbid love ever leave you empty handed
I hope you still feel small when you stand beside the ocean
Whenever one door closes, I hope one more opens
Promise me you'll give faith a fighting chance.
And when you get the choice to sit it out or dance
I hope you dance! I hope you dance!
I hope you never fear those mountains in the distance
Never settle for the path of least resistance
Living might mean taking chances but they're worth taking
Lovin' might be a mistake but it's worth making
Don't let some hell bent heart leave you bitter
When you come close to selling out reconsider
Give the heavens above more than just a passing glance
And when you get the choice to sit it out or dance
I hope you dance!I hope you dance! I hope you dance! I hope you dance!
I hope you still feel small when you stand beside the ocean
Whenever one door closes, I hope one more opens
Promise me you'll give faith a fighting chance
And when you get the choice to sit it out or dance
I hope you dance! I hope you dance! I hope you dance! I hope you dance!

I Hope You Dance - Sleeping Beauty

sábado, setembro 15, 2007

Nunca percas a capacidade de maravilhar-te!

Ah ! O mundo Disney... Bem sabemos que o mundo não é assim tão perfeito, tão pateticamente perfeito, mas não faz ele apelo à criança que vive em cada um de nós?Creio que sim. Talvez até porque esse nosso lado infantil não desistiu de querer capturar o universo fantástico em que acreditávamos na infância.
Hoje, cada vez mais, penso que temos necessidade de conservar intacto algo que não se deixe banalizar, como o sonho, a magia e o amor, neste mundo de guerra, terrorismo, fome e miséria que vemos todos os dias, no telejornal e que nos entra pela casa dentro, sem pedir licença.

Apesar de todos os estereótipos tradicionais de género, que as histórias Disney nos apresentavam e que podem ser facilmente desmontados e desconstruidos, se apontarmos para a aprendizagem de uma leitura crítica, elas continuam, quer queiramos quer não, a fazer as delícias de crianças e jovens de todo o mundo.
I hope you never lose your sense of wonder é a mensagem deste universo ficcional e que nos é relembrado também na letra da canção:
A dream is a wish your heart makes
When you're fast asleep
In dreams you lose your heartaches
Whatever you wish for, you keep
Have faith in your dreams and someday
Your rainbow will come smiling thru
No matter how your heart is grieving
If you keep on believing
The dream that you wish will come true .

quarta-feira, setembro 12, 2007

terça-feira, setembro 04, 2007

Palavras Andarilhas


A Biblioteca Municipal de Beja e a Associação para a Defesa do Património da Região de Beja organizam de 17 a 23 de Setembro as Palavras Andarilhas.
Nesta data chegam à cidade de Beja mais de 50 especialistas em Narração e Promoção da Leitura. Destacamos a presença de Daniel Pennac que, pela primeira vez, dará uma conferência em Portugal.
Imperdível...

domingo, julho 15, 2007

Ensinar a ler com histórias infantis

Tal como aos navegadores do século dezasseis lhes era pedido que soubessem ler as estrelas, aos navegadores de hoje, que se debatem imersos no manancial de informação que os rodeia, lhes é pedido que não só saibam descodificar as mensagens mas que, sobretudo, saibam perceber significados por detrás dos enunciados orais, escritos, visuais, etc...
Nesta ordem de ideias ler é compreender; ler é traduzir em pensamentos os sons das letras e palavras; ler é construir sentimentos e perceber emoções, enfim ler é sobretudo interpretar a vida ao sabor das letras...
Mas se ler é tudo isto, o que fazem as nossas crianças quando começam a aprender a ler?
Nesta altura, de fim de ano lectivo, podemos passear pelos livros de iniciação à leitura do 1º ciclo do ensino básico e parar para pensar! É isto mesmo que eu quero ensinar?! É desta forma que eu quero que os meus alunos tenham contacto com a linguagem escrita?
As alternativas são possíveis e esta nós vos propomos: "As Letras falam" de Rafael Cruz-Contarini e ilustrado por Maribel Suarez da Everest Editora.
Estas letras que falam, dizem-nos:

Sou o F de festa e de fonte
e eu o A de água e de abrir
este é o C de céu e cereja
aquele o V de vaca e Vladimir.

quarta-feira, julho 11, 2007

Nem só de sol vive o homem. Nos livros também podemos encontrar as ondas do mar, as praias douradas e o azul do céu. Desde a prosa à poesia tudo serve para mais uma reconciliação com a leitura. Agora não podemos argumentar falta de tempo! Podemos sim, criar uma relação duradoura com os livros que ainda não fazem parte de nós e que nos prometem prazeres inconfessados.
Mas descobrir novas paragens é, às vezes, assustador, mesmo aquelas que de tão próximas nos escapam sempre.

sábado, junho 30, 2007

Elisabeth Baguley estudou literatura antes de se ter aventurado no ensino, como professora de língua materna. Começou a escrever para crianças, quando percebeu o poder que os livros tinham quando lia, ao deitar, para as suas filhas pequenas e isso permitiu-lhe desenvolver uma escrita simples, mas no entanto cheia de significado, no mundo em que vivemos. O livro Meggie Moon, que em português está traduzido por As Ideias da Bia, conta-nos a história de uma menina chamada Bia que com paciência, preserverança e inteligência consegue entrar no território dos rapazes e fazer valer o seu carisma, depois de eles lhe terem dito que: "Nós não brincamos com raparigas". Então, ela constrói um fantástico carro de corridas e um magnífico navio pirata que deixa os seus amigos rapazes cheios de admiração. Eles terão de admitir que ela, de facto, tem ideias brilhantes...

domingo, junho 17, 2007

Vem e abraça-me

Autor:Michal Snunit
Ilustrador: Vanessa Levy
Vega Editores
A linguagem do abraço foi a primeira que os homens conheceram há muito tempo, antes de falarem. É a linguagem dos sentimentos, uma linguagem que não tem forma de mentir.
Esta encantadora história poética lembra-nos como um abraço pode ser tão precioso e porque é que sentimos necessidade de abraçar as pessoas de que gostamos.
"Após o nascimento dos céus,
após o nascimento da terra,
aós o nascimento das plantas,
após o nascimento dos animais,
então nasceram as pessoas
e com elas nasceu também
a linguagem dos abraços,
cujo universo é o do AMOR.

sexta-feira, junho 15, 2007

O menino que não gostava de ler

No dia em que Leopoldo fez oito anos, os pais ofereceram-lhe dois livros, tal como acontecia em todos os aniversários desde que tinha nascido!
Contudo, Leopoldo não gostava mesmo nada de ler. O que ele gostava era de correr pelos campos e por isso preferia que lhe tivessem dado umas sapatilhas. Como ele queria umas sapatilhas!
O que acontece com Leopoldo acontece com uma boa parte das nossas crianças e jovens. Fogem dos livros e da leitura, têm papirofobia, diagnóstico que o psicólogo da história descobriu para o problema do Leopoldo.
O que fazer para remediar o problema? Como a própria história nos conduz, o Leopoldo necessitava de um bom mediador, alguém que lhe conseguisse fazer a ponte entre ele próprio e os livros, para que todas as letras negras não se transformassem "num aglomerado de formigas bêbadas que, sem nenhuma regra ou ordem, saltavam de um lado para o outro da folha."
Na sua fuga da casa paterna, Leopoldo encontrou um velho cego, sentado no banco do parque, que lhe contou as suas aventuras:
"Dando voltas à terra, tinham-lhe acontecido coisas absolutamente extraordinárias. Caçara baleias ferocíssimas de cores inacreditáveis, combatera contra os piratas da Malásia e do mar da China, escapara deles agarrando-se a um tronco, sobre esse tronco andara à deriva e chegara a uma ilha com um vulcão, uma ilhazinha perdida no meio do oceâno Índico. Ali conhecera selvagens que eram tão pequenos que cabiam na palma da sua mão, estes tinham-no eleito seu rei, mas também de lá tinha fugido..."
Este velho, cego, delicadamente e subtilmente, conseguiu a proeza da conciliação e da aproximação do Leopoldo com a leitura.
Quantos velhos cegos precisamos nós de ter?

domingo, junho 03, 2007

Os Mediadores de Leitura

Mediador, em latim - mediatore -, significa aquele que faz a média, que liga. Falando de leitura pode-se considerar que o mediadore do acto de ler é aqule que proporciona a aproximação de alguém a um texto e que fomenta posteriormente a continuação dessa relação.
Os principais mediadores de leitura são as famílias, os professores, e os bibliotecários e até os amigos e vizinhos que nos emprestam um livro.

Infelizmente, as famílias nem sempre compreendem este importante papel que lhes cabe e se fazem mediação ela restringe-se, a maioria das vezes, à primeira infância, desaparecendo à medida que as crianças crescem, deixando os jovens sozinhos, com a sua solidão, junto a um livro, como diz DanielPennac.
Infelizmente, também, muitas vezes os professores confundem o seu poder de mediação e transformam uma actividade que deveria ser de fruição estética e intelectual, numa actividade de respostas a questionários e de avaliação. Por outro lado, não têm consciência que, para além de mediadores, são também modelos muito poderosos, para as crianças e os jovens e que portanto devem ser vistos a ler e devem, sobretudo, mostrar o seu amor pela leitura.
Para se auto-motivarem para a leitura e ao mesmo tempo contribuirem para o modelling, os professores da Escola Diogo Cão, em Vila Real, criaram uma Comunidade Leitora a que chamam - Livros com Bolos - de que já tive oportunidade de falar neste blog. Falando-se de um livro aprecia-se também um bolo e um bom vinho generoso para que a leitura corra mais depressa!
Querem experimentar? Quintas feiras , às 16.30, na Sala dos professores...


sábado, junho 02, 2007

Dia da Criança

Que tal oferecer um livro às crianças no Dia da Criança?
O Dia da Criança foi criado em 1950, pela Federação Democrática Internacional das Mulheres, que propôs às Nações Unidas que se comemorasse um dia dedicado a todas as crianças do Mundo.
A ONU reconhecendo que as crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social, necessitam de cuidados e atenções especiais, precisam de ser compreendidas, preparadas e educadas de modo a terem possibilidades de usufruir de um futuro condigno e risonho, propuseram o Dia 1 de Junho, como Dia Mundial da Criança.
Embora nem todas as crianças do Mundo tenham as mesmas oportunidades de viver uma vida digna, muito se tem feito e são inúmeras as organizações governamentais nacionais e internacionais, públicas ou privadas que apostam em programas de intervenção que levam alimentos e cuidados médicos pelo mundo fora.
Na Europa, depois da 2ª guerra mundial, para além de morrerem de fome e terem de trabalhar para contribuirem para a subsistência das suas famílias, metade das crianças não sabia ler nem escrever e 50 anos depois, hoje (!), as crianças europeias, na generalidade, têm oportunidades fantásticas a nível da alimentação, educação e saúde, proporcionadas por um período de paz continuada, conseguida pela construção da União Europeia.
Despojadas da necessidade de contribuirem para o rendimento familiar, pelo aumento do crescimento económico e do nível de vida, as crianças e os jovens contemporâneos partilham de uma infância e juventude mais consentânea com a sua condição e um dos benefícios deste bem-estar físico e social é a possibilidade de poderem aceder, também, a bens culturais, de que a literatura para a infância e juventude é um exemplo.
Se a literatura, hoje, se afirma cada vez mais, quer como uma componente essencial do desenvolvimento cognitivo e afectivo, quer como fonte de fruição intelectual, porque não oferecermos um livro às crianças, hoje, no seu dia?

segunda-feira, maio 28, 2007

Depois da ceia, arrumada a cozinha, às vezes a minha mãe, sentava-se ao balcão e cantava. Cantava um desses romances de que eu entendia melhor o ritmo do que as palavras.
Eugénio de Andrade

Cada vez me dou conta da importância da música nas nossas vidas. A música é uma necessidade humana básica, tão vital como o ar, a comida ou a água.Ela é sobretudo uma forma de nos ligarmos uns aos outros e a nós próprios.
Os educadores sabem há muito dos benefícios que a música pode trazer para o desenvolvimento da criança, desde a potenciação do movimento até à literacia das palavras e dos números!
A música faz com que as palavras sejam mais fáceis de decorar e sobretudo de pronunciar e é uma maneira divertida de fazer com que a linguagem se torne vida!
Sites a visitar:
Boas músicas!

sexta-feira, maio 25, 2007

quarta-feira, maio 23, 2007

Ilustrações, ilustrações...

Já repararam como os livros de literatura dirigidos à infância têm umas ilustrações soberbas?
A 11ª edição do Prémio Nacional de ilustração acabou de dar conhecimento dos prémios atribuidos este ano que distinguiram Teresa Lima pelo conjunto de desenhos feitos para a obra “Histórias de Animais”, com texto de Rudyard Kipling.

As duas menções especiais foram atribuídas, respectivamente, às ilustrações do livro “Pê de Pai”, da autoria de Bernando Carvalho (texto de Isabel Martins, editado pela Planeta Tangerina) e aos desenhos de “Uma mesa é uma mesa, será?”, de Madalena Matoso (texto da mesma autora e publicado pela mesma editora).

O Prémio Nacional de Ilustração foi criado em 1996 pelo Ministério da Cultura/IPLB e a APPLIJ – Secção Portuguesa do IBBY (Internacional Board on Books for Young People) -, com o objectivo de promover a ilustração de livros para a infância e a juventude originalmente editados em Portugal.

O Prémio Nacional de Ilustração distingue todos os anos um ilustrador pelo conjunto de desenhos originais publicados numa obra para crianças ou jovens editada no ano anterior e pode, ainda, distinguir mais dois ilustradores através da atribuição de duas menções especiais.

terça-feira, maio 15, 2007

Concurso Nacional de Leitura



Decorreu hoje, dia 14 de Maio, na Biblioteca Pública de Vila Real, a final distrital do Concurso Nacional de Leitura dirigido ao 3º ciclo e ensino Secundário.

A prova foi elaborada a partir dos romances: A Ilha do Chifre de Ouro de Álvaro Magalhães, O conto Amor de Miguel Torga, As Naus de António Lobo Antunes e Crónica do Rei Pasmado de Gonzalo Torrente Ballester.

Os jovens candidatos, de diferentes pontos do distrito de Vila Real, foram acolhidos pelo Júri do Concurso que lhes explicou as regras das diferentes provas e os pôs à vontade para participarem com alegria e boa disposição neste evento dedicado à leitura.
No final, foi servido a todos um merecido lanche, com as diversas especialidades da doçaria tradicional Vilarealense.

domingo, maio 13, 2007

Actividades de promoção do livro

Joana e o lápis amarelo in Do Tamanho do Coração
Escreveu Pedro Veludo
Ilustrou Luísa Brandão
A partir da história Joana e o lápis amarelo alguns professores fizeram a promoção do livro elaborando um porta lápis muito original. Não podemos esquecer que uma das primeiras funções dos mediadores é promover o livro e que ideia original para o fazer!

quarta-feira, abril 25, 2007

O Meu Pequeno Coração de todos os dias, de Alain Chiche, da Gailivro, é um livro enternecedor, para crianças do pré-escolar. Fala de um urso que, em discurso directo, nos conta como se sente em cada dia da semana:
Terça-feira, o meu pequeno coração é tão precioso como uma ilha perdida no oceano...
(...)
Quinta.feira, o meu coração é único como o sol...
(...)
Eu adoro o meu pequeno coração... porque todos os dias tu és o meu pequeno coração!

Regra nº 1: Tudo começa com a leitura em voz alta - e a leitura em voz alta deve começar desde o berço. A compreensão oral vem sempre antes da leitura!







terça-feira, abril 17, 2007

Formar Leitores

segunda-feira, abril 09, 2007

CALENDÁRIO ABRIL 2007


Já se tinham esquecido do calendário das histórias infantis?
Bom aqui está ele de novo agora do mês de Abril!

sábado, abril 07, 2007


No próximo dia 23 de Abril - Dia Mundial do Livro - terá lugar na livraria FNAC, do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, pelas 19h, o lançamento e apresentação da obra Formar leitores: Das Teorias às Práticas, coordenada por Fernando Azevedo.
É de salientar a escolha do Dia Mundial do Livro para o lançamento desta obra pois esta data honra a velha tradição catalã em que, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas UMA ROSA VERMELHA DE SÃO JORGE e recebem em troca, imaginem lá, UM LIVRO. Esperemos que desta vez recebam o livro Formar Leitores!
Se conseguires... partilhar livros e flores, nesta primavera... e prolongar este amor de compromisso com a leitura... não deixes de aparecer... na FNAC... dia 23... às 19h.
O mundo dos livros...e das flores...estará à tua espera...

segunda-feira, março 26, 2007

Dia Internacional do Livro Infantil

O Dia Internacional do Livro Infantil comemora-se a 2 de Abril, data do nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. Este dia é especialmente celebrado como inspirador do amor pela leitura e também dos livros para crianças
.
Para assinalar este dia, o IBBY (International Board on Books for Young People) divulga anualmente uma mensagem, dirigida às crianças de todo o mundo,elaborada por um escritor e edita também um poster desenhado por um ilustrador . O poster de 2007 tem por título "Stories ring the world" - As Histórias ligam o Mundo. Que belo título, não acham?
No dia 2 de Abril enviem mensagens a todos os vossos amigos, conhecidos, políticos, não políticos, órgãos de comunicação social e outros que se lembrem, divulgando a mensagem do amor pelos livros, pelas ilustrações... promovendo a leitura, enfim a arte!

sexta-feira, março 23, 2007

Autor: Isabel Maria Fernandes
Ilustrador: Cesária Martins
O principal motivo porque vos trago hoje este livro é pelas ilustrações que ele apresenta.
Este livro destinado a leitores iniciantes (2º ano) tem ilustrações belíssimas que, não fora a impressão, diríamos que foram feitas em materiais tão diversos como tecidos de várias texturas e cores, de papéis de várias proveniências, como jornais e papel de embrulho, enfim uma panóplia de recursos a que a ilustradora recorreu para estimular as crianças a melhor descodificar a escrita.
Bruno Bettleheim, (1998:11) refere que: " para que uma história possa prender verdadeiramente a atenção de uma criança, é preciso que ela distraia e desperte a sua curiosidade. mas, para enriquecer a sua vida, ela tem que estimular a imaginação; tem que ajudá-la a desenvolver o seu intelecto e esclarecer as suas emoções; ..."
O texto a ilustração preenchem as duas funções referidas por Betheheim.
A história fala-nos dos meninos gordos, personagens verídicas do século XIX, já objecto de tratamento neste meu blog, e mostra-nos os meninos gordos através do trabalho da artista com ilustrações dinâmicas e apelativas.
" Vamos contar-te a história de dois irmãos..."
Anne-Laure Bondoux
O que distingue o bem do mal? Até que ponto há pessoas que são só completamente más ou só completamente boas?
As lágrimas do Assassino fala-nos do relacionamento entre uma criança e o assassino dos seus pais. É um tema invulgar mas forte pela forma como coloca as personagens em confronto com a inocência de uma criança que vê os pais morrerrem à sua frente, às mãos de um assassino frio e ignóbil e o próprio assassino que, ao fim de vários anos de ter que cuidar daquela criança, arriscou-se a ver os seus sentimentos transformados, chegando a sentir ciúme do amor que Paolo dedica a um estranho:
" Ao entrar no quarto, encontrou Paolo enrolado como um novelo no centro da cama, tranquilo como o deixara. Angel sentou-se na beira do colchão e tocou ao de leve na testa do pequeno, muito suavemente, com a ponta dos dedos. Ficou assim uma hora, imóvel, com a impressão de, pela primeira vez, estar a decifrar o sentido da existência. A existência é isto: o nascer incerto da madrugada, a respiração de uma criança a dormir, e um homem com mãos grosseiras de assassino, sentado no escuro, a sofrer."
Mas vamos à história: A família Poloverde vive numa casa conhecida como a Casa do Fim do Mundo, no sul do Chile. Neste lugar inóspito, isolado e difícil cresce o pequeno Paolo. Um dia chega um homem Angel Allegriam que em troca de abrigo amigo mata sem dó nem piedade quem tão prestimosamente o acolhe...


Considerado um dos melhores romances de 2002/2003 em França, As Lágrimas do Assassino obteve praticamente todos os prémios literários nesse país, incluindo o importante Prix Sorcières 2004, atribuído anualmente ao melhor romance juvenil publicado em França.

sexta-feira, março 16, 2007



MENINOS GORDOS - CONTAR UMA HISTÓRIA ATRAVÉS DA FAIANÇA

EXPOSIÇÃO - 17 DE MARÇO A 11 DE MAIO

MUSEU DE VILA REAL


Trata-se de uma exposição que conta a história de dois meninos «belos, gigantes e gordos», que andaram por terras portuguesas nos anos quarenta do século XIX e que estiveram em Guimarães, no Largo da Oliveira, em Janeiro de 1843. Estes meninos causaram tal espanto que os nossos ceramistas pintores do séc. XIX os retrataram em vistosa faiança nortenha. A exposição é vocacionada para os mais novos, tendo sido elaborado um atractivo caderno de exploração da exposição que vai seguramente fazer a delícia dos jovens do 1.º, 2.º e 3.º ciclos escolares.

sábado, março 10, 2007

CALENDÁRIO - MARÇO 2007

A CEREJEIRA DA LUA

AUTOR: ANTÓNIO TORRADO

ILUSTRADOR: LOK TAI TONG

Frase com cerejas:

“O inatingível está à tua mercê. Queres que os teus desejos aconteçam? Fecha os olhos”.

DESENHOS DE: PATRÍCIA E RITA - 6º F

ESCOLA DIOGO CÃO

VILA REAL




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Na minha terra conta-se que, no inverno, à lareira, quando ainda não havia as modernices de hoje, pais e avós juntavam-se para contar histórias. As mães diziam: Venham meninos vamos às contas! Claro que não eram só os meninos que se juntavam. Era a família inteira e mais os vizinhos e até os animais que lá por casa passeavam se aninhavam para saborear mais uma noite de histórias, contos, ditos e mexericos...