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terça-feira, agosto 11, 2015

"We're The World (USA For Africa)"

https://www.youtube.com/watch?v=dm0IWCvcz6A
 
There comes a time when we heed a certain call
When the world must come together as one
There are people dying
And it's time to lend a hand to life
The greatest gift of all

We can't go on pretending day by day
That someone, somewhere will soon make a change
We all are a part of God's great big family
And the truth, you know,
Love is all we need

[Chorus:]
We are the world, we are the children
We are the ones who make a brighter day
So let's start giving
There's a choice we're making
We're saving our own lives
It's true we'll make a better day
Just you and me

Send them your heart so they'll know that someone cares
And their lives will be stronger and free
As God has shown us by turning stone to bread
So we all must lend a helping hand

[Chorus]

When you're down and out, there seems no hope at all
But if you just believe there's no way we can fall
Well...well...well
Let's realize that a change can only come
When we stand together as one

sábado, julho 25, 2015

Melhores Momentos 2014-15

video

 
A história desenrola-se à volta de um pequeno elefante cor-de-rosa, e começa com "era uma vez" como convém a todas as histórias...

O elefante era cor-de-rosa e toda a linguagem semiótica do texto e da imagem giram à volta desta cor dos mundos encantados, dos mundos "cor-de-rosa", onde o elefantezinho vivia a sua vida que era também cor-de-rosa, "entre pássaros azuis e manhãs de cristal...(...)". As próprias páginas rosa e largas do texto abrem o mundo à imaginação pictórica, onde cada um poderia pintar espacialmente esse mundo, como muito bem entendesse.

Era um mundo de danças e sem sofrimento, onde o tempo não podia medir-se e onde as flores (...) pareciam rir e os pássaros prolongavam, no seu canto, o eco de tanta felicidade". Ah, as flores, essas eram brancas, simbolicamente puras e ingénuas, como era todo aquele mundo de ilusão subtil.

Contudo, como na vida real, estes mundos de felicidade permanente nunca existem, tal como não existem elefantes cor-de-rosa ... Assim, o elefantezinho tem que dar simbolicamente um salto para a frente, para o desconhecido, e parte na cauda de um planeta à exploração do espaço.

Onde poderá viver? O que poderá fazer? O mundo como ele conhecia morreu, ele estava sozinho! Restava-lhe a nossa TERRA, a nossa realidade vulgar, onde os elefantes são presos "(...) dentro de jaulas, que são uma espécie de gaiolas".

A fuga à realidade parece impossível no mundo empírico-histórico factual mas, até nesse, a mensagem de esperança vem daqueles cuja aceitação da alteridade, do outro, é mais fácil de ser conseguida.

As crianças, com a sua inocência e fantasia, aceitam até a mais inverosímil cor do pequeno elefante e é lá, na sua imaginação, que ele escolhe viver para sempre!
 

Autor-Luísa Dacosta
Ilustrador - Armando Alves
Editora - ASA

sexta-feira, julho 24, 2015

A escritora angolana Yola Castro

A escritora angolana Yola Castro destacou, nesta sexta-feira, em Luanda, a importância do livro no meio familiar e na comunidade, por ser uma ferramenta indispensável na formação do homem e no desenvolvimento socioeconómico do país.



A escritora fez esse pronunciamento durante um encontro com estudantes do ensino primário da Escola número 1166, antigo Magistério Primário, no âmbito do projecto ”Leituras Públicas”, promovido pela União dos Escritores Angolanos (UEA) e a Comissão Administrativa da Cidade de Luanda.
Yola Castro referiu que a prática da leitura é “extremamente” importante por aumentar o nível de conhecimento científico e de cultura geral das pessoas, que poderão contribuir da melhor forma no desenvolvimento do país.
Na sua opinião, o processo de distribuição de livros, principalmente nas crianças, deve ser acompanha por sessões de leituras, para incentivar os menores a criarem o gosto pela leitura.
Essa acção, reforçou, ajuda a aumentar o grau de conhecimentos dos menores, assim como garante melhores resultados académicos dos alunos.
“Deve existir um maior número de actividades infantis em que as crianças possam interagir mais com os livros, visto que a leitura é um acto de intimidade entre o manual e o leitor, na qual o beneficiário é o próprio leitor”, argumentou.
Por sua vez, a directora da Escola 1166, Esperança Massango, enalteceu a iniciativa do projecto “Leituras Públicas”, por incentivar as crianças a terem hábitos de leitura.
“Esse tipo de actividade é importante, porque a pessoa que lê um livro nunca mais será a mesma, visto que aprende coisas novas”, salientou.
Apelou aos pais e outros encarregados de educação no sentido de comprarem, cada vez mais, livros infantis, assim como ajudarem as crianças a lerem e a interpretarem as histórias, para os menores ganharem hábitos de leitura.
O projecto “Leituras Públicas” tem o principal propósito de incentivar os alunos a ganharem o gosto pela leitura, através da promoção do diálogo entre escritores e estudantes.
Jornalista e professora de literatura infantil, Yola Castro tem no mercado seis obras, entre as quais, “A borboleta colorida e a linda joaninha” (prémio literário 16 de Junho, INALD-2003), “Colectânea do conto infantil e Vuvukyetu” e “Família Real”.
Yola Castro nasceu em Luanda, em 1977, e desde os 12 anos se dedica à literatura infantil.

Foto: Joaquina Bento
Agência Angola Press

SEMANA DA LEITURA 2016

ELOS DE LEITURA
 
A 10ª edição da Semana da Leitura propõe-se convidar as escolas das redes pública e privada a dinamizarem ambientes festivos que envolvam as suas comunidades educativas e a população em geral em iniciativas plurais, que deem visibilidade à leitura como prazer e a tornem presente em todos os momentos e em qualquer lugar.  A festa da leitura e do prazer de ler poderá ser, para os que assim o entenderem, uma oportunidade para se evidenciar a universalidade da Palavra e se criarem momentos de reflexão em torno de questões tão atuais como a globalização e o entendimento entre os povos.
Na verdade, a globalização coloca-nos hoje numa encruzilhada em que a diversidade cultural, base de sociedades multiculturais, nos obriga a repensar formas de diálogo entre culturas, que conduzam a um entendimento duradouro entre os povos. Entidades como a ONU ou a UNESCO inserem nas suas  agendas, como assunto fulcral, a necessidade de aprendermos a viver juntos, adquirindo  competências que nos permitam encarar com sucesso a complexidade de um mundo heterogéneo. Estamos perante a necessidade de novas abordagens que fomentem uma literacia cultural, salvaguarda do património comum da Humanidade. Olhar de frente a mudança global é aprender a pensar global. É na educação que devemos apostar para aprendermos a integrar a diversidade, no quadro do respeito e do entendimento mútuos.  A leitura suporta e  ilustra a diferença, o pluralismo e a multiculturalidade, criando elos de informação e de compreensão que nos ajudam a lidar com a heterogeneidade da Humanidade e a aceitarmos valores universais,  unindo-nos em torno dos direitos humanos, na construção de sociedades inclusivas.
Neste quadro, entre 13 e 19 de março de 2016, a Semana da Leitura vem desafiar, mais uma vez, as escolas a fazerem a festa do livro e da leitura. Tradicionalmente dinamizada no mês de março, esta iniciativa tem-se revelado um importante contributo para  evidenciar a leitura junto das crianças e dos jovens que frequentam as nossas escolas, marcando, simultaneamente, a sua presença junto da população em geral, quer pela aproximação das escolas às suas comunidades, quer pela intervenção conjugada de bibliotecas públicas e de diferentes entidades da sociedade civil que, voluntariamente, se associam a esta celebração anual.  A Semana da Leitura surge, pois, como uma grande festa, que envolve não só escolas e encarregados de educação, mas também autarquias, empresas, assim como escritores, artistas, jornalistas, atores ou individualidades públicas, que desenvolvem atividades de leitura junto das populações, ultrapassando-se em muito a velha sala de aula pela apropriação do espaço público - bibliotecas, mercados, praças, cafés, restaurantes, livrarias, papelarias, cabeleireiros ou jardins – que se tornam espaços de festa onde todos são bem-vindos e se criam “ELOS de LEITURA”. 

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

A histórias infantis não são só para crianças

Deixo-vos aqui um texto do "The Guardian":

Who today remembers the plays of AA Milne or the political writing of Erich Kästner? Yet their children’s books are read the world over.
Salman Rushdie has suggested that of all his work – including Midnight’s Children, which won the Best of the Booker – his children’s books may last the longest. He recalled being urged to write them by publisher Kurt Maschler, who had published Kästner’s Emil and the Detectives.
“As Kurt Maschler said to me, ‘It’s the only one of his books that’s still in print!’ That was a lesson I didn’t forget. It may end up that Haroun and the Sea of Stories and Luka and the Fire of Life are the only books of mine that remain in print. And that would be fine, actually.”
Neil Gaiman tells the similar story of AA Milne, who is no longer remembered as a West End playwright or features editor of Punch, but only as “the author of two books of short stories and two books of verse for small children”.
It’s striking how long children’s books can last. One explanation may be the way in which they’re read. They become part of our emotional autobiographies, acquiring associations and memories, more like music than prose.
Another explanation may lie in the fact that children’s books are designed with re-reading in mind. For all children’s writers are conscious that our books may be re-read by children themselves.
“Yes, kids read and re-read favourite books,” says Francesca Simon. “My favourite Horrid Henry books to sign are the ones which are so dog-eared and stained through re-reading they are practically translucent. When Simon Mayo interviewed me, he commented that he had read them to his kids over 200 times. He looked like a man undergoing penance …”
Enduringly odious … Horrid Henry: Tony Ross/Orion  
Enduringly odious … Horrid Henry: Tony Ross/Orion Photograph: illustration©Tony Ross/PR
A similar view is taken by Gaiman, who writes for all ages. “When I’m writing for kids,” he says, “I’m always assuming that a story, if it is loved, is going to be re-read. So I try and be much more conscious of it than I am with adults, just in terms of word choices. I once said that while I could not justify every word in American Gods, I can justify every single word in Coraline.”
Many parents will know this already. They sometimes even fear there’s something wrong with a child who re-reads favourite books rather than new ones.
“There’s nothing wrong with them,” says Charlotte Hacking, of the Centre for Literacy in Primary Education (CLPE). “Children need to read and re-read and keep coming back to books, looking at them in different ways. It’s actually a really good thing; it allows you to go deeper.”
So re-reading is a given for children’s authors. It’s one reason why we try to write books that have many layers and work on different levels, rewarding re-reading by growing richer each time.
But if this is true, then why are children’s books rarely considered for literary prizes such as the Man Booker and the Costa? This year’s Costa coverage barely considered the possibility that the children’s prize-winner, Kate Saunders’s Five Children on the Western Front, might win the overall prize.
Yet it’s an exceptional book that already feels like a classic. In a stunning twist on E Nesbit’s Five Children and It, Saunders takes those carefree Edwardian children and plunges them into the first world war. For they belonged to the generation who would die in the trenches, and she works this to devastating emotional effect.
“It’s an amazing book,” says Guardian children’s books editor Julia Eccleshare. “If that was an adult book working with Jane Austen, as it were, people would be wowing about it. The textual play on a classic, in the adult world, would receive far more praise than I think she has been noticed for – yet.”
Perhaps it’s unsurprising, given that only one winner of the Costa/Whitbread children’s book prize has ever won the overall book of the year. That was Philip Pullman’s The Amber Spyglass, back in 2001.
The Amber Spyglass
 
The Amber Spyglass Illustration: PR
“It hasn’t happened since,” says Pullman. “But one day they’ll have to find a book they just have to give it to. Maybe one day a children’s book will get the Booker prize. Why not? Why not a children’s author winning the Nobel prize?”
Sarah Churchwell, one of last year’s Booker judges, has written about the judging process. She said that it “asks of books something they’re not really designed for: to be read three times in a row by people probing for weakness. Most books just crumble under that kind of pressure: only the most rich, the most layered, continue to dazzle and reveal ever more.”
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She concluded that only two books on last year’s list met this criterion. Yet as a children’s writer, I couldn’t help thinking that this is exactly what all children’s books are designed to do. They may achieve it to a greater or lesser degree, but that’s always the aim.
Children’s laureate Malorie Blackman agrees. “Call me biased,” she says, “but I find the standard of storytelling in children’s books and books for young adults second to none. I find it telling that even now, there are far more children’s books and books for teens that I’d like to re-read than books for adults.”
These are the books that get handed down through generations, becoming classics, but perhaps their readability works against them. Reflecting on the children’s books he still re-reads, Pullman observes: “Part of the joy of all these books is a sort of perfect lightness and grace in the words. Everything is in its right place. Not a comma needs changing. Things like that make it possible to read them again and again without fatigue.”
That lightness and grace is a hallmark of the best children’s writing, along with the multi-layered richness Churchwell found so rare. Yet only The Amber Spyglass and Mark Haddon’s The Curious Incident of the Dog In the Night-Time have ever appeared on a Booker longlist. Not one single children’s book has made the shortlist, let alone won, in the history of the prize.
Luke Treadaway as Christopher in The Curious Incident Of The Dog In The Night-Time
 
Luke Treadaway as Christopher in The Curious Incident Of The Dog In The Night-Time Photograph: Tristram Kenton/Tristram Kenton
Meanwhile, media coverage of children’s books is vanishingly small. Former Children’s laureate Julia Donaldson has pointed out that they get less than one in 40 of all review spaces. And yet children’s books now account for one in four of all books sold in the UK. This is the most vibrant sector of British publishing, outperforming adult fiction in 2014.
A generational shift may now be occurring. For many of my generation, growing up in the 1970s with books like Watership Down, story is story, regardless of age. That’s even truer of younger writers.
“I certainly don’t see children’s books as being in any way lesser than adult literature,” says Katherine Woodfine, born in the 1980s, whose debut The Mystery of the Clockwork Sparrow is published this year. “If anything, I’d argue the opposite. Children’s books can have a hugely powerful effect on their readers, helping to shape and inform their view of the world, in a way that adult books rarely achieve. They’re the first literature we engage with, and what’s more, they’re often the first art works we ever encounter.”
Woodfine’s response to the lack of coverage is to create new media space. Together with Melissa Cox of Waterstones, she hosts Down the Rabbit Hole on Resonance 104.4FM: the only dedicated children’s books radio show. It’s part of a vibrant online community, too. Twitter, the Guardian children’s books site, and other digital spaces are connecting writers, readers, bloggers, vloggers, booksellers, librarians and teachers as never before, while hashtag chats such as #ukyachat and #ukmgchat regularly trend.
“Since JK Rowling’s Harry Potter and Philip Pullman’s His Dark Materials,” Jeanette Winterson has observed, “children’s literature has been repositioned as central, not peripheral, shifting what children read, what we write about what children read, and what we read as adults. At last we seem to understand that imagination is ageless.”
It’s true that such books brought children’s fiction to higher prominence in the early 2000s, but they are part of a literature that is continually regenerating itself. And as the generation who grew up on Rowling and Pullman begin to publish their own books, it will only go further.
Yet neither media coverage nor literary prizes have kept pace. Until they do, anyone looking for the richest contemporary literature might be advised to consult the lists for prizes such as the Guardian children’s fiction award and the Carnegie medal instead. Because that is where you will find book after book that stands up to re-reading: the true classics of the future.

terça-feira, janeiro 27, 2015

O TEMPO DA ALMA

                                                             
                                           (Hoje, no Jardim de Infância de Gravelos, Vila Real)

Cada vez mais surgem evidências de que os sistemas de crenças de uma civilização produzem um efeito decisivo sobre o funcionamento do ser humano (psíquico e fisiológico) uma vez que infundem sentimentos de esperança de vitória e são de grande ajuda na superação de dificuldades, mesmo (e principalmente) na vida adulta.
Estas crenças estão muitas vezes plasmadas nos “contos de fadas” cuja função é a de resgatar o “tempo da alma”. A alma tem um tempo próprio, característico, ditado pelos ritmos da natureza, que não costuma ter pressa. O “tempo da alma” é que regula o passo das fases do amadurecimento humano, em oposição à ansiedade e ao acúmulo de questões e de pressões de toda a ordem, que a sociedade moderna exerce sobre os Indivíduos, sobre os Estados e sobre as Uniões.
A verdade é que a maioria dos contos de fadas, que nós conhecemos hoje tiveram, na sua origem, finais muito mais extremos e envolviam temas muito pesados, como canibalismo, homicídio, e tortura. Eram contos recheados de vingança, de assassinatos, de mutilações … Essas histórias da mitologia europeia, que começaram a ser formalmente registrados, em prosa, na Idade Média, eram contadas de pais para filhos e traziam consigo preocupações da vida quotidiana (e nada nobre) como morte, fome, abandono e abusos sexuais.
Pelo contrário, os contos atuais, cheios de esperança e amor, foram fruto de uma preocupação com o impacto psicológico que as crianças podiam sofrer, tendo-se optado, então, pela fórmula mais branda, do politicamente correto.
Fossem essas histórias mais ou menos tenebrosas ou mais ou menos adocicadas elas não deixaram contudo de contribuir para o imaginário coletivo europeu, que certamente queremos que continue comum.
Assim sendo, é mesmo de um "conto de fadas" que necessitamos, de uma encantação determinada que transforme a abóbora, num coche puxado por fortes cavalos brancos.
Imaginar é um ato mágico, já dizia Sartre…pois então dêmos-lhes contos de fadas, acrescentou Einstein, sem hesitar!

quarta-feira, janeiro 14, 2015


É imenso e multifacetado o universo da literatura infantojuvenil. Ele gira em torno de vários eixos que mostram a riqueza e a amplitude da mesma, mostrando núcleos de significação e de inter-relacionamento com o mundo empírico-histórico factual passado, presente ou futuro e ainda revela quantum entanglement com a mitologia, a polifonia, a ideologia, a oralidade, a intertextualidade…
A argila, vulgarmente chamada barro, que se transforma depois em cerâmica é, segundo os estudiosos, a mais antiga das indústrias. Ela tem acompanhando a história da humanidade, deixando pistas sobre civilizações e culturas que existiram há milhares de anos, antes da Era Cristã. Costuma mesmo dizer-se que o primeiro artesão foi Deus que, depois de criar o mundo, pegou no barro e fez Adão.
Desta cerâmica ancestral existem vestígios um pouco por todo o mundo e Portugal não foge à regra e em Vila Real existe um tipo de cerâmica preta que, segundo Joaquim de Vasconcelos (1908) é uma “(…) arte incomparável, dotada de memória admirável, que mantém sem estampas, sem guia, vivendo ao desamparo, com uma simples iniciação patriarcal na família, as mais puras tradições de uma arte ancestral que enfeitiça e seduz o crítico mais exigente”.
A publicação do livro “Uma menina que nasceu no meio do barro: história quase verdadeira dos oleiros de Bisalhães, Vila Real” de Isabel Maria Fernandes com ilustrações de Rita Faria é uma chamada de atenção para a precária situação da olaria preta pois, pretende sensibilizar os mais jovens para a preservação das memórias, por um lado e, ao mesmo tempo, dirigir o foco para possíveis oportunidades de negócio para não falar das já tão faladas potencialidades turísticas.
E reza assim a história:
A Ana nasceu em Trás-os-Montes, e todos lhe chamam Ana Louceira. Um dia, o seu amigo Francisco foi visitá-la porque queria saber como se fazia a famosa louça preta de Bisalhães, Vila Real. A Ana levou o amigo a ver como os oleiros fazem esta louça. Os dois amigos passaram um dia inesquecível e o Francisco aprendeu imenso sobre o trabalho dos oleiros e sobre esta louça que, como por magia, muda de cor.

Boas leituras!

Os heróis improváveis

Era uma vez Desperaux, um rato apaixonado por histórias. Um rato de ENORMES orelhas e um coração SEM TAMANHO.

Convenhamos que era um rato grande demais para o pequeno mundo onde vive...

Mas “A Lenda de Desperaux” de kate di Camillo é também a história de uma colher de sopa, de um carrinho de linhas e de uma agulha, objetos que, francamente estarão a pensar, não se colocam nas histórias, por serem demasiado insignificantes.

Mas a vida é assim mesmo, feita a maior parte do tempo de coisas insignificantes, como por exemplo trabalhar, ir às compras, pôr gasolina no carro, dormir, comer e, no caso desta história, do nascimento deste rato cuja mãe, desesperada, lhe pôs o nome de Desperaux!

Contudo Desperaux, para além da particularidade das suas grandes orelhas, tinha também os olhos bem abertos, para além de não se comportar como um verdadeiro rato, o que convenhamos causava estranheza no mundo dos ratos.

Desperaux acaba por passar por vicissitudes várias, por escapar a perfídias ilimitadas para finalmente, como é habitual nas histórias de potencial receção infantil, regressar à luz gloriosa, com a forma de cavaleiro brandindo a espada.

 O protocolo de leitura da “Lenda de Desperaux” pode levar-nos a muitos caminhos, começando pelos heróis improváveis do quotidiano (nós todos), pelos super heróis improváveis do quotidiano (os que dão a vida para salvar outros) e pelos híper heróis improváveis do quotidiano (aqueles que conseguem perdoar).

“-Perdoa-me – repetiu Lester. Leitor, o perdão é, creio eu, muito parecido com a esperança (…), algo muito poderoso e maravilhoso. E algo muito ridículo também!”

E que é feito da colher de sopa e do carrinho de linhas e da agulha? Bom, isso é tema para a cozinheira da história que disse: “Escuta rato, estes são tempos extraordinários. E por isso temos de ter paz entre nós”

E a agulha? Bem, para saberem têm que ler a história…mas para já leiam a frase de Adreinne Rich: “I don’t think we can separate art from overall human dignity and hope.”

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Segurança e Liberdade

                                      Segurança e Liberdade

Leila tem 10 anos. Vive no grande deserto, onde os beduínos viajam de camelo. Leila tem seis irmãos. Slimane é o seu preferido. Um dia Slimane desaparece no infinito das areias. Não voltará mais e o seu pai probibe que jamais o seu nome seja pronunciado, quer na esfera pública, quer na privada. Apesar da cólera do pai, o xeque Tarik, Leila impõe a sua vontade e Slimane vive de novo no coração de todos aqueles que dele se recordam.
Assim é a história de L...eila, no livro de Sue Alexander com ilustrações de Georges Lemoine.
Uma das coisas mais terríveis que pode acontecer, quando uma tragédia acontece, é não se poder falar dela, por medo de represálias, por imposição de alguém ou mesmo por imperativo próprio, de recato e introversão.
As duas primeiras (medo de represálias e por imposição de alguém) vão contra o que hoje em dia a sociedade occidental pugna que é uma sociedade dinâmica, no processo contínuo de conquista e defesa da liberdade, na construção e expansão no campo do direito, ético, cultural, individual e coletivo.
Ao ler o que David Lankes escreveu, hoje, no Library Journal - “All libraries should provide safe place to recover and the tools to turn tragedy into action and understanding” – dei comigo a pensar o que poderemos fazer+ nas escolas para que a importância da Liberdade de Expressão seja, de facto, inserida da formação de uma consciência cidadã.
Claro que inúmeros projetos poderão ser repensados, começando pelo jornal escolar e pela necessidade de ele se constituir como o veículo das diversas “vozes” que enquadram a comunidade educativa.
Depois temos o currículo/disciplinas, cujos professores sempre muito preocupados com o programa, dizem (e talvez bem) que não têm tempo para essas coisas…
Restam-nos as Bibliotecas Escolares/Centro de Recursos que são locais híbridos culturalmente, são plurais por natureza, no sentido de agregar múltiplos e diversificados saberes, com a intenção de criar vínculos com as suas comunidades não ignorando os centros mas, sobretudo, prestando atenção às periferias pois, é aí onde a ação é mais necessária.
A aprendizagem de uma literacia crítica à volta da personagem “Leila” do Livro de Sue Alexander, que estava impedida, pelo pai de mencionar o irmão morto, o questionamento do texto para averiguar o porquê das vozes autoritárias em jogo, a persistência de Leila e a sua vitória final dão, a esta história, um magnífico pretexto para, por exemplo, definir aquilo que consideramos Segurança e Liberdade e fornece-nos elementos de comparação, relativamente a estes conceitos e à prática deles, em diferentes sociedades.



domingo, janeiro 11, 2015

O senhor o seu nariz e outras histórias


Texto - Álvaro Magalhães

Ilustração -João fazenda

 “ (…) Agora sei porque te fadei, eu que nunca tinha feito mal a ninguém. Era para meu próprio bem. Às vezes, as fadas também sabem o que vai acontecer. Sabem mas não sabem que sabem. Percebes? Sabem sem o saber.”
Esta frase está quase no final da história que Álvaro Magalhães escreveu e que se chama – O senhor do seu nariz.

Contudo, a fada não aparece só no fim da história. Pelo contrário, aparece bem no princípio da mesma quando insiste em fadar o rapaz/bébé com “um nariz do tamanho de um chouriço” e, sem mais delongas, o nariz começou a crescer, a perder de vista, de tal forma que o rapaz/homem, apesar de tudo sempre otimista dizia: “Não era pior se fosse do tamanho de um presunto?”

Apesar dos inconvenientes que “o seu nariz” às vezes lhe causava (o nariz chegava sempre antes dele, nunca passava despercebido, derrubava as pessoas quando se virava de repente, por exemplo…) tinha outras conveniências mais agradáveis pois “cheirava como ninguém, pois então”.
A sua verdade, ou melhor, a sua busca da verdade, qual Diderot, baseava-se não no tato mas no olfato, como fonte de conhecimento do mundo: “As pessoas cheiravam o mar, os bosques e as flores, eu cheirava o mar, os bosques e as flores, como nem o mar, os bosques e as flores sabem que são.”

O seu subtil olfato foi então percebido de muita utilidade, resolvia um incêndio ali, dava conta do temporal a chegar acolá, enfim, com o tempo deixou de “ser um cheirinhas para ser um cheirador. O caminho de casa estava sempre cheio de gente que vinha pedir um favor, ouvir uma opinião. Eu lhes dizia se me cheirava. Ou não”.
Até que um dia…cheirou-lhe a pó de fada! “Segui-lhe o rasto cheiroso e fui parar ao beco mais escuro da cidade, (…) era uma fada do ar mas estava estendida na lama (…) “ – Se não podes ser fada e voar, aguenta-te em terra. Gostas de sopa de ervilha e hortelã? E de pão fresco pela manhã?"

E no resultado do "cheiro" da elaboração sobre o mundo, a fada começou a rir, “(…) deu duas voltas no ar e voou como só uma fada sabe voar” e talvez dissesse que o tempo é de cada um, e que ele há de sempre vir, para iluminar nosso “olhar”.
Boas leituras! Livro recomendado para o 3º ano de escolaridade.
 

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Na minha terra conta-se que, no inverno, à lareira, quando ainda não havia as modernices de hoje, pais e avós juntavam-se para contar histórias. As mães diziam: Venham meninos vamos às contas! Claro que não eram só os meninos que se juntavam. Era a família inteira e mais os vizinhos e até os animais que lá por casa passeavam se aninhavam para saborear mais uma noite de histórias, contos, ditos e mexericos...