Seguidores

quinta-feira, abril 24, 2008

Ciclo das Fadas (1) - AS FADAS VERDES

Para iniciar o ciclo das fadas, trazemos aqui um livro de Matilde Rosa Araújo: As Fadas Verdes.
Mas antes, não podemos deixar de referir e lembrar Albert Einstein,quando nos ensinou que: "If you want your children to be intelligent, read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales." De facto, inúmeros escritores, poetas, cientistas, psicólogos e pedagogos têm referido a importância do Imaginário na vida dos seres humanos pois a sua ausência amarra as imagens no tempo e no espaço e consequentemente aprisiona o sentido e os sentidos da vida.
Pelo Imaginário, descobrimos a verdade. Não aquela que vem de fora para dentro, mas como dizia Poirot, esse detective extraordinário inventado por Agatha Christie, "...a descoberta da verdade tem de vir de dentro para fora e nunca de fora para dentro." (Christie, 1824)
Alguns já nascem com uma capacidade exponencial de construir imaginários, e daí resultam personalidades marcantes na vida artística , literária ou científica. Todos nos lembramos de Leonardo D'Avinci e dos seus desenhos visionários e futuristas, de Shakespeare e da sua capacidade de teatralizar com refinada sofisticação a natureza humana, de J.R.R. Tolkian e da sua criação de mundos ou universos alternativos e de Fernando Pessoa e da sua multifacetada criação de outras vidas imaginárias, através dos heterónimos. Tanto eles como outros, com a sua percepção crítica e arguta da realidade, catapultaram a mesma, para os patamares mais altos da actividade humana que é a Imaginação criadora Artística.
As fadas, esses seres que povoam o nosso imaginário colectivo, permitem-nos também, com a sua simplicidade, chegar a esse supremo nível de aprendizagem artística que é o " Olhar para lá das aparências, e dar o salto para o lado de lá ... para chegar à raiz ... para onde se joga a poesia ou o novo sentido das coisas". (Meneres, 2003).
Elas garantem-nos, em última instância, que há maneiras diferentes de ver o mundo, formas inovadoras de sentir o aqui e o agora, como contemporâneos uns dos outros, sentindo que as dificuldades podem ser vencidas, as florestas atravessadas e os caminhos de espinhos cortados. As fadas pacificam-nos, instigam-nos a olhar para a natureza, para o verde das plantas, das árvores, das folhas e que por serem dessa cor verde, matizada de vários tons, misteriosamente ressoam a refúgio de esperança, nesta nossa existência, que se diz a curto prazo e para a qual não sabemos "... what tomorrow will bring... " .(Pessoa, 1935)
Esperamos, com a leitura das Fadas Verdes e ao iniciar este Ciclo das Fadas, saborear a sua magia ao alcance do pensamento e também "... divined the potency of the words, and the wonder of things, such as stone, and wood, and iron; tree and grass; house and fire; bread and wine." (Tolkian, 1939)

sexta-feira, abril 18, 2008

O ciclo das fadas

"If you want your children to be intelligent, read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales."

"When I examine myself and my methods of thought, I come to the conclusion that the gift of fantasy has meant more to me than any talent for abstract, positive thinking."


~Albert Einstein~

terça-feira, abril 15, 2008

I Prémio Internacional de Ilustração - S. de Compostela

A argentina Natalia Colombo ganha o I Prémio Internacional Compostela
com o álbum intitulado “Cerca”.
Menções honrosas para os trabalhos dos portugueses José António Gomes e Gémeo Luís, e de Isabel Minhós Martins e Yara Kono

A ilustradora e designer argentina Natalia Colombo ganhou o I Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados, organizado pelo Departamento de Educação do Concello de Santiago e pela editora Kalandraka, com a obra intitulada “Cerca”. O galardão tem um valor percuniário de 12 000 euros e o livro será publicado no final do corrente ano pela Kalandraka nas cinco línguas peninsulares. O júri avaliou um total de 335 trabalhos provenientes de inúmeros países, entre os quais foi seleccionado o álbum “Cerca” pela relação “perfeitamente entrelaçada” entre texto e imagens, que “narram, fluem e evoluem”.

terça-feira, abril 08, 2008

Concurso - Plano Nacional de Leitura

Mais uma vez teve lugar, na Biblioteca Municipal de Vila Real, a fase de apuramento distrital do Concurso do Plano Nacional de Leitura. Os alunos e respectivos professores das escolas de Montalegre, Sabrosa, Vila Pouca e Mesão Frio empenharam-se na leitura de diversas obras do universo literário português que serviram de palco para a elaboração de pequenos questionários, a que os jovens tiveram que responder.
No final da prova foi servido um pequeno lanche e foram oferecidos pequenos presentes, de lembrança, pela participação nesta iniciativa.
Aos alunos vencedores das escolas de Mesão Frio e Montalegre (3º ciclo) e das escolas de Mesão Frio e Sabrosa (Secundário) damos os nossos parabéns!





sexta-feira, março 14, 2008

Segundas Jornadas Iberoamericanas sobre Leitura e Escrita


La AELE organiza las Segundas Jornadas Iberoamericanas sobre Lectura y Escritura: Red de Ciudades y Pueblos Lectores y Escritores (Red CPLE).
Programa de las Jornadas
Acceder al FORMULARIO DE INSCRIPCIÓN
Fecha:
desde el 30 de mayo (viernes) al 1 de junio (domingo) de 2008.
Lugar:
Madrid, en La Casa Encendida, Ronda de Valencia, 2.
Destinatarios:
Profesionales en el ámbito de la educación y de la animación a la lectura.
Otros profesionales relacionados con el mundo de las letras y la salud: psicología, literatura, periodismo, medicina, biblioteconomía, psicología, literatura, etc.
Estudiantes de carreras afines a la temática de las Jornadas.
Personas interesadas en conocer la Red CPLE y las distintas acciones que la misma desarrolla.
Las jornadas pretenden:
Servir de plataforma comunicativa para producir ideas innovadoras relacionadas con “dejar leer” y “dejar escribir” a los niños y a los jóvenes en distintos contextos sociales.
Favorecer el intercambio de experiencias de lectura y de escritura, entre ellas, las generadas en el contexto de la Red CPLE.

A Lua de Joana


Muitos autores consagrados como José Gomes ferreira ou Miguel Torga escreveram diários pessoais onde pretendiam, de alguma forma, transpôr para a posteridade as suas convicções, opiniões, sentimentos e visões da vida e do mundo onde estavam inseridos.
No que diz respeito à literatura juvenil, quem não conhece o Diário de Ann Frank escrito em condições muito adversas, para a autora, e cujas palavras serão certamente recordadas por todas as gerações passadas e vindouras que tiveram acesso este livro .
Hoje, vimos falar-vos do Livro de Joana, de Maria Teresa Maia Gonzalez e da importância de estarmos atentos a nós e ao outro, e de sermos capazes, como diz o Padre Feitor Pinto, de "em conjunto, percorrer um caminho que conduza a uma vida plena..."

segunda-feira, março 10, 2008

Informações - Concurso Literário


Concurso Nacional Literário Conto Infantil - Prémio Matilde Rosa Araújo

De 2008-01-02 até 2008-04-02


Câmara Municipal da Trofa


A Câmara Municipal da Trofa lançou a 7.ª edição deste concurso dedicado ao conto infantil. Podem concorrer cidadãos portugueses ou estrangeiros, desde que radicados em Portugal há mais de dois anos, sem livros publicados. O desafio é escrever um conto infantil, criativo e original, com uma alusão ao concelho da Trofa. O melhor conto integrará o Programa Oficial da Área Metropolitana do Porto, em 2009.


Prazo o envio dos trabalhos: 2 de Abril de 2008


Regulamento e outras informações: www.mun-trofa.pt/cultura/

Lembrando o Dia Internacional da Mulher-8/Março


No livro “Matilda” de Roald Dahl a personagen feminina é reequacionada, reexaminada e os schemata (Iser, 1993:45) textuais construídos como estratégias no interior do texto, dão corpo a uma verdade não verbalizada, mas oculta, que permite um reajustamento, por parte dos leitores, levando a uma mudança de identidade do papel do feminino.

Matilda é um génio: Com a idade de 4 anos já tinha lido todos os livros da secção infantil da biblioteca local e por isso necessitava de algo mais que a fizesse saciar a ânsia de conhecimento e divertimento. Assim partiu decididamente rumo a Dickens, Austen, and Hemingway.
Paralelamente, desenvolvia altos conceitos matemáticos e tinha uma compreensão do mundo muito para além do que seria normal, para uma criança daquela idade.

Infelizmente, os seus pais não conseguiam reconhecer-lhe o talento nem apreciar a bonita pessoa que era. De facto, eles olhavam para ela de uma forma pouco respeitosa, porque Matilda passava a maior parte do tempo a ler, o que para eles era umamaneira pouco saudável de viver a vida....
Com o tempo, Matilda desenvolveu poderes especiais que a protegiam das atrocidades verbais, quer dos seus horríveis pais, quer dos seus professores.
Bom, mas para saber mais sobre esta rapariga formidável, só mesmo lendo a história...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

The Magic Barber


Fantástico contar histórias!
Os leitores ávidos são aqueles que parecem estar sempre imersos na leitura.Podemos dizer isto por outras palavras: estar perdido na leitura ou estar a ter uma experiência virtual.Esta ligação com as histórias é também o que se chama ler por prazer que é a oportunidade de voluntariamente lermos coisas que não experiênciamos e que mesmo nunca viremos a experiênciar mas que nos levam a comprar um livro ou a ir a uma biblioteca requisitá-lo.
Os professores aproveitam e capitalizam esta tendência usando a literatura, especialmente a ficção narrativa, para criar entusiasmo para as disciplinas que ensinam.É o caso da nossa escola onde regularmente os professores de inglês visitam a biblioteca para, em inglês, se contarem histórias aos alunos.
Hoje, foi a vez de se contar a história do Magic Barber, de John Milne, da Editora Heineman, que chega a uma cidade que usava chapeus pretos de variadas formas e que com as suas palavras mágicas transforma o cabelo de todos em diversas cores e feitios.
"Snip! Snip!
Up and down!
Round and round!
An off it comes!
Mas... o resto só mesmo houvindo a história...


E eu? Que tal fico com um round hat?

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Grandes Classicos contados às crianças



Do teatro ao cinema e à banda desenhada os grandes clássicos da literatura têm sido profusamente adaptados, recriados e traduzidos.
Figuras nascidas nas letras, como Dom Quixote, Vasco da Gama, Bewolf e Gulliver, entre outros, encontram-se hoje nas prateleiras de qualquer livraria e ganham novos rostos reinventadas por cartonistas, cineastas, ilustradores e escritores.
Enquanto que, a maioria das vezes, tendemos a considerar as adaptações cinematográficas e de banda desenhada como novas produções estéticas, porque implicam uma nova linguagem utilizada (o filme e o desenho) já com as adaptações que utilizam o mesmo suporte (a escrita) somos mais comedidos nas apreciações, mais convencionais e tendemos a considerá-las, à priori, de menor qualidade.
A possibilidade de recriar textos numa tentativa de os tornar mais agradáveis sem que eles percam a sua essência é portanto o grande dilema das adaptações.
Ninguém, hoje em dia, fora dos círculos académicos lê, por exemplo, o “Bewolf”, escrito em inglês medieval com incidências germânicas nem o “ Paraíso Perdido “ de Milton com os seu versos brancos e muito complicados sintacticamente, diz Sophii Gee, crítica literária do New Tork Times.
Sendo assim, será preferível encontrar novos formas de difusão, novos suportes, novas formas de ver, olhar ou mesmo escutar os clássicos da literatura?
Na nossa modesta opinião, as reescritas, criando um produto completo, não precisam ser um caminho para se chegar ao original que as inspirou, elas podem valer por si próprias. Tudo depende da qualidade de quem escreve a história, de quem ilustra a história, de quem dirige o filme ou de quem cria a banda desenhada.
A arte é sempre apreciada por si própria e ela também é, ela própria, fruto de influências, intertextualidades, reescritas, memórias, ligações que se foram entrecruzando através dos tempos…
No caso das adaptações de grandes clássicos para Literatura Infantil e Juvenil as premissas são as mesmas no que respeita às perdas e ganhos. Perde-se agora o contacto com o autor original mas ganha-se o contacto com a essência da história. Esta, se foi bem recriada, proporcionará uma nova experiência estética através dos paratextos, estrutura, pontos de vista e personagens que, por sua vez, encaminhará o leitor para novos efeitos perlocutivos, para novas respostas pessoais e colectivas perante esta nova leitura.
A memória dos antigos é assim tirada dos alfarrabistas e é mantida viva, pois a reconstrução das suas histórias baseou-se certamente numa lealdade para com o novo leitor, mas também, sem dúvida, para com eles próprios.

sábado, fevereiro 16, 2008

Identidade Intercultural


Se identidade implica, um processo de diálogo com vista à recriação e reconstrução, através do texto, também poderá ser entendida como um processo de manutenção de determinados traços culturais e das relações que eles estabelecem com outras características culturais diferentes.
Em “Making Sense” de Nadia Marks, escritora de origem cipriota criada em Londres, retrata-se a vida de uma adolescente que como ela teve que viver num país diferente: “Up until I moved to England, just three months ago, I knew exactly who I was, Julia Lemonides, fourteen years old, confident, popular, artistic, lively (…).” Em Chipre, Júlia tinha tudo: amigos, confiança, gloriosos dias de sol… agora em Londres teve que começar tudo de novo, sentindo-se uma outsider. O seu carácter fortemente determinado e o sentido de humor fizeram-na, aos poucos, recriar a sua identidade e adaptar-se ao novo clima e cultura, daquele país tão diferente e que ela tinha que abraçar por força das circunstâncias.
Desta forma, podemos pensar o ensino da arte/literatura como um poderoso instrumento para revitalizar e resgatar a identidade, a diversidade e as singularidades culturais, na medida em que através destes percursos narrativos, se podem ultrapassar e romper barreiras ao mesmo tempo que se reflecte em torno dos princípios axiológicos fundamentais ao reconhecimento da alteridade, imprescindíveis ao constructo humano.
Se a literatura como dizem Austin (1962), Searl (1983) e Iser (1978) se assemelha ao modo do acto ilocutório, “ (…) It takes on an illocutionary force, and the potential effectiveness of this not only arouses attention but also guides the reader’s approach to the text and elicits responses to it.” então, poderemos dizer que, a literatura infantil e juvenil tem uma ponderosa força perlocutória, impelindo à acção, apesar da manutenção do seu carácter ficcional. Assim, a leitura faz-nos reexaminar, por vezes, as convenções sociais e individuais perspectivando novas formas de estar e de sentir o mundo.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Igualdade e diferença

Durante a leitura da obra, The Most Magnificent Mosque, de Ann Jungmann, o leitor competente e crítico estabelecerá certamente, total ou parcialmente, uma ligação com o tema da diversidade religiosa e cultural e da convivência multicultural.
No início do século oitavo os árabes conquistaram o sul de Espanha e a bonita cidade de Córdoba onde construíram uma mesquita que se tornou na segunda maior do mundo islâmico. Nela três rapazes brincaram nos seus magníficos jardins: Rashid, muçulmano, Samuel, judeu e Miguel que era cristão. Quando da reconquista cristã, em 1236, pôs-se seriamente o problema da sua demolição para se construir, em seu lugar uma igreja católica. Os três rapazes, agora adultos, foram ter com o Rei Fernando implorando pela bela Mesquita:

“I am here to plead for our mosque on behalf of all the Christians of Córdoba, cried Miguel.
I am here on behalf of all the Jews of Córdoba, said Samuel.
And Sire, I speak for the Muslim citizens. Spare our mosque! Cried rashid.”

No entender de Ralf Darendorf (1996:17), a heterogeneidade constitui o verdadeiro teste à consistência da identidade europeia. Ele acrescenta que “Common respect for basic entitlements among people who are different in origin, culture and creed prove that combination of identity and variety which lies at the heart of civill and civilized societies.”
Através de Rashid, Samuel e Miguel podemos referir, como Castells (2003:3), que toda e qualquer identidade é construída e baseada no conhecimento do território vivencial. Contudo, apesar de ser construída a identidade tem uma característica estática e não é imutável pois:
“São resultados sempre transitórios e fugazes de processos de identificação. (…) Escondem negociações de sentido, jogos de polissemia, choque de temporalidades em constante processo de transformação, responsáveis em última instância pela sucessão de configurações hermenêuticas que de época para época dão corpo e vida a tais identidades."(Santos, 2002:119)
A identidade é assim compreendida numa dialéctica de igualdade e diferença, proporcionada pela transacção entre texto e leitor que conduz à recriação da identidade do segundo e ao mesmo tempo remete para a textualidade de todas as relações humanas. Como diz Hartman (1980: 271):
We read to understand, but to understand what? Is it the book, is it the object revealed by the book, is it ourselves? (…) yet what we gain is the undoing of a previous understanding. (…) Reading itself becomes the project: we read to understand what is involved in reading as a form of life (…). "

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Papá chega-me a lua

Quando, no livro de Eric Carle (2006) “Papa, please get the moon for me”, traduzida para castelhano por “Papa achega-me a lua”, da editora Kalandraka, a menina pede ao pai que lhe chegue a lua, pois ela, ao vê-la ali tão perto e tão bonita, apetece-lhe colhê-la. Porém a tarefa não é fácil e o pai necessita de uma escada muito comprida para conseguir satisfazer os desejos da filha.
O texto verbal e icónico, aqui apresentado, poderá referir um sistema de equivalências de sentidos infinitesimais que podem ser estabelecidos no processo de leitura porque “ (…) meaning is imagistic” diz Iser (1997:2) e “ (…) os níveis de realidade que a escrita suscita, a sucessão de véus e de escudos talvez se afaste até ao infinito, talvez apareça sobre o nada.”, acrescenta Calvino. (1995:391)
Se o significado de um texto é imaginável e pode aparecer sobre o nada, então, poderemos imaginar também que alguns pequenos e jovens leitores, depois de estudarem o processo que levou à constituição da União Europeia, considerariam que a lua, desta história, poderia transformar-se na bandeira da união europeia. Aliás o céu azul e as estrelas amarelas das ilustrações levan-nos directamente para esse quadro. Por outro lado, a escada interminável, utilizada pela personagem pai na história, poderá representar os cinquenta anos que mediaram desde a assinatura do primeiro Tratado, no longínquo ano de 1957, até à aprovação do Tratado Reformador assinado no passado mês de Outubro, em Lisboa.
Criando desordens significativas, ou inúmeras possibilidades interpretativas este texto assumiu-se assim, na sua relação com o leitor e restituiu-lhe o seu papel preponderante na continuidade do fenómeno literário, dizia Eco. (2004:177)
Esta preponderância do leitor contribuiu para a identidade desse mesmo texto, que neste caso foi conseguida pela atribuição de um quadro de referências do mundo empírico-histórico factual, não só relacionada com a problemática da integração europeia mas também (…) “from lexical meanings to the constellation of characters.” (ISER,1997:34). Ou seja, dos significados lexicais proporcionados pelos objectos reais, em cena, como sejam, a escada e a lua, à constelação de personagens, do pai e da menina, que poderiam ser eles próprios objecto de análises poderosas.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Territórios Identitários Europeus

Muitas vezes, os textos ligam-se simbióticamente com o mundo empírico histórico factual e são mais permeáveis às realidades sociais e extratextuais.
No livro “O mundo em que vivi” de Ilse Lose, escritora nascida na Alemanha, que por força da sua ascendência judia teve que fugir do seu país e refugiar-se em Portugal, acabando por adquirir a nacionalidade portuguesa, neste livro, dizíamos nós a assumpção de um território identitário remete para Berlin dos anos 30, época pouco gloriosa da Alemanha.
À medida que o texto nos conduz da infância à idade adulta da personagem Rose, de uma Alemanha saída da 1ª guerra mundial até ao avolumar das crises de inflação, desemprego e vitória dos nazistas, há uma felicíssima viagem simbólica que é dada pela associação da aproximação de uma trovoada à catástrofe iminente que iria acontecer:

(…) ao evocar-nos assim, de coração oprimido, não posso deixar de pensar nas grandes tempestades que abalavam a minha terra. Era como se alguém começasse a medir a distância da trovoada, o tempo entre o relâmpago e o trovão. Cada quilómetro significava um ano. (…) Um estrondo medonho faz estremecer a terra, e uma voz cheia de horror exclama: Agora está mesmo por cima de nós!”
Lose, 1997
Neste contexto, a reprodução de características do mundo empírico-histórico factual “ (…) serves to highlight purposes, intentions, and aims that are decidedly not part of the realities reproduced” como diz Iser, (1997.3), e permite, também converter essa mesma realidade “(…) into a sign for something other than themselves.”, que neste caso é a construção da realidade europeia que teve as suas origens depois da terrível experiência do holocausto, constituindo a sua consolidação, que neste texto se antevê, num desafio para todos os países, um apelo à tolerância activa e à solidariedade responsável.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

A natureza na literatura Infantil


Se a literatura pode ser uma mentira, como Iser refere, ela também é um modo operacional que abre caminhos para diferentes versões da nossa própria casa, do nosso próprio mundo. Nesta abertura de caminhos tem um papel preponderante, segundo a teoria da estética da recepção, o observador, que no processo de leitura analisa a interacção texto/leitor, não como acontecimento produzido apenas pela imaginação do leitor, mas pela intersecção de normas históricas, sociais e linguísticas. O autor e o leitor perdem assim a subjectividade. O autor abandona toda a intenção e o leitor torna-se dotado de competência semiótica e intertextual.
Assim, a indeterminação ou os espaços em branco (Eco, 1971:36) proposta pelos textos, não são uma fraqueza do sistema literário, mas uma qualidade essencial que permite o compromisso criativo. Na obra da escritora italiana Iela Mari “L’Albero” publicada em castelhano pela kalandraka com o nome “As Estacións” é dada ao leitor quase todo o poder para fazer as significações desejadas consubstanciando-se no que Eco chama de obra aberta que tende “ (…) a promover no interprete (actos de liberdade consciente), a pô-lo como centro activo de uma rede de relações inesgotáveis (…)”. Desta forma a ficção torna-se um acto de ultrapassar fronteiras – reais e ficcionadas.
Por virtude da celebração da plasticidade da literatura e num discurso pictórico em que as cores vão revelando as vozes enunciadoras da problemática em causa porque “ (…) A arte, enquanto estruturação de formas, tem modos próprios de falar sobre o mundo e sobre o homem” (Eco, 1971:36), poderá acontecer que ao falarmos da passagem das estações por esta árvore, o L‘Albero, o leitor vá recordando a necessidade da protecção da floresta, tema tão contemporâneo, a par das inferências possíveis ao tema da preservação da nossa casa comum, a terra, num quadro de uma visão não cartesiana da natureza onde todas as criaturas vivas têm direito ao seu espaço vivencial.
Esta obra poderá também recepcionar-se pelo sentimento da paisagem, sentimento intelectual e afectivo que se consubstancia pela necessidade de construção de habitats ecologicamente seguros. O esquilo, que tem que mudar de casa consoante as estações, responde a variáveis antropológicas das valências do lugar, indiciando diferentes formas de viver num espaço – tempo – movimento, mas sempre pugnando por encontrar nele um lugar reconhecível, como lugar destinado aos seres humanos e aos animais.
Mais uma vez, a literatura tornou-se um modelo operatório que abriu caminho para diferentes versões do mundo que se consubstanciam em diferentes identidades intimamente ligadas à relação entre texto e leitor pois, implicaram uma troca contínua de pedidos e ofertas entre ambos, onde o objecto literário ganhou uma carga simbólica pela importância da mente do leitor na atribuição do sentido do mesmo. (Fish, 1984:50)

quinta-feira, novembro 29, 2007

VIII Encontro de Literatura Infantil


LER+ DESDE A IDADE DO BERÇO

Auditório Municipal de Vila Nova de Gaia

5 de Dezembro de 2007



Programa e incrições em:

http://www.utad.pt/pt/eventos/viii_enc_lit_infantil.pdf

terça-feira, novembro 27, 2007

Histórias com "identidade europeia"?


No livro Wie schemekt der Mond, traduzida para português com o título A que sabe a Lua?” de Michael Grejniec, todos os animais queriam averiguar a que sabia a lua: ” Era doce ou salgada? Só queriam provar um pedacito. À noite, olhavam ansiosos o céu. Esticavam-se e estendiam os pescoços, as pernas e os braços, tentando atingi-la.
A tartaruga resolveu escalar a montanha mais elevada mas não podia tocá-la. Então chamou o elefante e depois a girafa, e depois a zebra e depois o leão e depois o raposo e depois o macaco e por fim o rato que arrancou um pedaço. “ Saboreou-o satisfeito, e depois foi dando migalhas ao macaco, ao raposo, ao leão, à zebra, à girafa, ao elefante e à tartaruga.”
E a lua soube-lhes exactamente àquilo que cada um deles mais gostava.” porque a indeterminância textual aponta, por um lado, para uma fuga tendencial ao sentido, que impede que se fixe ao texto uma verdade última. O texto constrange positivamente ao jogo intertextual em que se dá à leitura, remetendo, deste modo, o leitor para a textualidade característica de toda a experiência. (Iser, 1977:33)
A que é que a lua sabe, a um leitor, será certamente diferente do que sabe a lua a outro leitor, porque a recepção do texto verbal e icónico é conseguida pelo duplo princípio da diversidade e da divergência. Contudo, algumas vezes, pode-se convergir para um mesmo objectivo e a consciência dessa necessidade é apontada pelos animais desta história.
A convergência do mundo empírico - histórico - factual e do virtual/ficcional, proposto pela literatura de recepção infantil e juvenil, pode romper fronteiras que separam um país de outro, mas também podem quebrar as fronteiras que separam pessoas de objectos: a lua estava longe mas o engenho e a arte dos animais determinaram o alcance dos objectivos que era tão simplesmente saber a que sabia a lua.
Também a convergência do local com o global europeu poderá estar na essência da construção de uma nova identidade sem perda da identidade primordial, porque o leão continuará a ser leão, o elefante continuará a ser elefante, a girafa continuará a ser girafa e assim sucessivamente...

domingo, outubro 14, 2007

Uma história que vem da Finlândia

AAron Shepard é autor de muitas histórias infantis que têm como ponto de partida, para os contos que cria, as lendas de muitos países do mundo.
Esta história que ainda não está traduzida para a língua portuguesa, pode no entanto ser contada por mediadores que tenham alguns conhecimentos da língua de Shakespeare.
Conta a história de Mikko que, tal como o seu irmão tinha feito, tem que escolher uma noiva para casar. Contudo, para escolher a sua noiva é costume Finlandês cortar-se uma árvore e a direcção em que a árvore cair deverá ser aquela em que a noiva tem ser procurada. Para espanto de Mikko a árvore caída apontava em direcção a um bosque profundo e frio... Que tipo de noiva poderia ser encontrada naquele lugar inóspito?
Mas tradição é tradição e Mikko pôs-se a caminho com coragem e aí encontra a mais inesperada namorada, aquela que prova que, com coração e mente abertos, o amor pode ser compensado da forma mais surpreendente e inesperada...
As ilustrações do russo Leonid Gore, actualmente a viver nos Estados Unidos, que se situam entre o realismo e a pasticidade etérea dos países nórdicos, conjugam-se de forma simbiótica com as palavras formando um todo de muita beleza artística.
ISBN 0-689-82912-4
Editora: Atheneum Books for Young Readers

quarta-feira, setembro 19, 2007

A princesa Pocahontas

Pocahontas é a filha do grande chefe Powhatan que vive com a sua tribo, nos verdes vales e majestosas montanhas da América. Um dia, enquanto sai com os seus amigos à procura de ursos, observa que a ilha está a ser invadida por colonos brancos comandados pelo capitão John Smith. As duas raças tornam-se inimigas até Pocahontas fazer amizade com o capitão branco, usar todo o seu amor e engenho para unir as duas frentes opostas e tornarem-se para sempre amigos da paz.
Este livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura, adaptado de uma lenda medieval, apresenta-nos uma Pocahontas espirituosa que tem uma constante relação com a natureza e cujos pensamentos são mais profundos do que se vê na superfície. Ao mesmo tempo, ela também tem um aspecto travesso e brincalhão, mas que não a impede de lutar pelos seus direitos e os do seu povo, bem como ir contra as convenções estabelecidas, apaixonando-se por um homem de outra raça e credo.
No post abaixo podemos ouvir a música "Just around the river bend" que acompanha o filme onde Pocahontas expressa o seu amor pela natureza e tece considerações sobre a sua vida:
What I love most about rivers is:
You can't step in the same river twice
The water's always changing, always flowing
But people, I guess, can't live like that
We all must pay a price to be safe,
We lose our chance of ever knowing
What's around the riverbend
Waiting just around the riverbend
I look once more just around the riverbend
Beyond the shore where the gulls fly free
Don't know what for what I dream the day might send
Jut around the riverbend for me
Coming for me I feel it there beyond those trees
Or right behind these waterfalls
Can I ignore that sound of distant drumming
For a handsome sturdy husband
Who builds handsome sturdy walls
And never dreams that something might be coming?
Just around the riverbend, Just around the riverbend
I look once more just around the riverbend
Beyond the shore somewhere past the sea
Don't know what for ...Why do all my dreams extend
Just around the riverbend?Just around the riverbend ...
Should I choose the smoothest corse
Steady as the beating drum?
Should I marry Kocoum?Is all my dreaming at an end?
Or do you still wait for me, Dream Giver
Just around the riverbend?

Just around the riverbend English version (Pocahontas)

LED Text Scroller

Na minha terra conta-se que, no inverno, à lareira, quando ainda não havia as modernices de hoje, pais e avós juntavam-se para contar histórias. As mães diziam: Venham meninos vamos às contas! Claro que não eram só os meninos que se juntavam. Era a família inteira e mais os vizinhos e até os animais que lá por casa passeavam se aninhavam para saborear mais uma noite de histórias, contos, ditos e mexericos...