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terça-feira, maio 12, 2009

Ciclo das Fadas XIII

Era uma vez uma fada que se chamave Lisete que por não estar habituada a comer em demasia, caiu desmaiada a caminho do lago. Mimo, o velho castor seu amigo, ficou sem a ajuda habitual que Lizete lhe costumava prestar e por isso estava triste e quase a pensar que tinha sido abandonado à sua sorte.
Mas não, Lisete, com a ajuda dos amigos pirilampos, depressa chegou ao lago, atravessando os campos de papoilas, as árvores apaixonadas, a pedra oca e a corrente do rio...
O encontro com Mimo foi um encontro com - sigo mesmo e com o outro em si pois Lisete percebeu, naquele momento, a necessidade de nos assumirmos uns aos outros enquanto sujeitos interligados, neste mundo global, aqui representado pela floresta e por todos os eco-sistema que nela residem.
De vez em quando, os obstáculos surgem subrepticiamente, sem darmos conta (o desmaio) mas também, quase simultâneamente, chegam os adjuvantes com a sua luz forte de pirilampos para alumiarem e indicarem o caminho...
Lisete não os reconheceu logo como amigos e muito menos como tendo a capacidade de prestar ajuda, naquela situação tão melindrosa em que se encontrava: "afinal tu és apenas um insecto!" disse ela.
Contudo, também os insectos e os animais mais insignificantes, como no caso da formiga, no conto de Esopo, podem constituir-se como potenciais amigos, em dificuldades futuras, revelando-se extremamente importantes num quadro de difícil execução.... daí que o insecto lhe tenha retorquido: "- Não te deixes enganar à primeira vista. Os teus olhos e a tua mente podem pregar-te umas partidas."
Lisete, então, aceitou ser ajudada, por manifesta incapacidade de se iluminar a si própria. Estava triste e furiosa e quando isto acontece "Não consegue iluminar o corpo por mais que insista".
O valor da amizade, um sentimento de afeição mútua o colocar-se no lugar do outro para compreender as suas atitudes são pois os temas principais deste singela narrativa que tem por personagem central, mais uma vez, as FADAS!

domingo, março 29, 2009

Ciclo da Fadas XII - Açafrão a Fadazinha Amarela

" Só pode ser mel de fadas" diz Cristina para a amiga, enquanto procuravam as fadas perdidas no jardim da dona Felizarda.Mas as fadas não produzem mel, são as abelhas e estas, segundo a mitologia representam a eloquência, a poesia e a inteligência como o interface terreno de uma face de uma moeda que, do outro lado, tem um alcance mais espiritual que é a ressureição e o seu papel iniciático e liturgico,no mundo ideal de Platão. (Chevalier & Gheerbrant, 1982)
A Fada Amarela fugiu! Sim ela fugiu para longe e foi então refugiar-se junto às abelhas pois sabia como elas são prudentes e ao mesmo tempo laboriosas no seu atelier, a colmeia, sublimando o pólen das flores em mel imortal.
As duas amigas da nossa história procuram então a Fada Amarela, que fugindo do Génio do Gelo se refugiou na Ilha das Quatro Estações. Sem a Fada Amarela e das suas outras companheiras "O país das fadas continuava gelado e cinzento até as sete Fadas serem encontradas e voltarem para lá."
Será que Cristina e Raquel conseguem encontrá-la? Bom, para isso terão que ler, até ao fim, o livro de Daisy Medows, da Editora Verbo, e provar o mel bafejado com pó mágico... Contudo, será bom precaverem-se dos duendes do Génio do Gelo pois as suas maldições são fortes e frias...


Bibliografia
CHEVALIER&GHREERBRANT (1982) Dicionário dos Símbolos. Lisboa, Editorial Teorema

quarta-feira, novembro 26, 2008

Ciclo das Fadas IX - A fada das crianças - Fernando Pessoa


A FADA DAS CRIANÇAS
Do seu longínquo reino cor-de-rosa,
Voando pela noite silenciosa,
A fada das crianças vem, luzindo.
Papoulas a coroam, e, cobrindo
Seu corpo todo, a tornam misteriosa.
À criança que dorme chega leve,
E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,
Os seus cabelos de ouro acaricia –
E sonhos lindos, como ninguém teve,
A sentir a criança principia.
E todos os brinquedos se transformam
Em coisas vivas, e um cortejo formam:
Cavalos e soldados e bonecas,
Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,
E palhaços que tocam em rabecas…
E há figuras pequenas e engraçadas
Que brincam e dão saltos e passadas…
Mas vem o dia, e, leve e graciosa,
Pé ante pé, volta a melhor das fadas
Ao seu longínquo reino cor-de-rosa.
Fernando Pessoa

quinta-feira, novembro 20, 2008

Ciclo das Fadas VIII - A Grande Aventura de Beck

"Somos feitos da mesma matéria que nossos sonhos" disse Shakespeare. Esta frase do grande escritor inglês veio-me à memória quando li "A grande Aventura de Beck", da colecção Fadas, da Disney. De facto, só dentro dos nossos sonhos conseguimos imaginar seres que se movem com a força do pensamento, que voam com o poder do pó mágico ou que entendem a linguagem dos animais.Mas estes sonhos, no dizer de Shakespeare, materializam-se naquilo que nós somos e naquilo que conseguimos fazer, falar e ser. Quer dizer, se sonhas com fadas podes ser ou tornar-te uma delas...ou considerando de outra forma: "You cannot have a concept of fantasy without a concept of reality" (Gamble &Yates, 2008:118) porque uma boa história de fadas, no sentido geral do termo, está profundamente enraizada nas experiências , ideias e ideais humanos.
A história deste livro, A Grande Aventura de Beck, posiciona-se neste quadro conceptual: a fantasia ou o não racional feito gnomos, de animais que falam e de fadas ocorre no mundo racional onde existem plantas, animais, casas e seres humanos.
Beck, a fada deste livro é um ser corajoso " ...quer da vida mais alguma coisa do que andar às voltinhas no Vale das Fadas". " Queremos mais do que qualquer outra fada. Queremos voar mais depressa." Mas tal como no mundo real "...os céus estão cheios de falcões, de ventos contrários e de granizo...e por vezes temos de utilizar diferentes truques para sobrevivermos", diz Beck e as suas amigas.
Ao contrário de muitos contos de fadas, onde a floresta joga um papel simbólico muito importante, como por exemplo uma manifestação de ansiedade, ou um ritual de passagem da adolescência para a idade adulta, aqui a acção passa-se no céu azul onde se cruzam pássaros de todos os tamanhos e cores. É para este local de confronto simbolico entre o bem e o mal que Beck quer ir, à procura de terras distantes onde se podem ver ondas às cores e areias que falam. Para o conseguir constrói umas asas gigantes, à maneira de Ícaro e tal como ele caiu, mas desta feita amparada por pássaros protectores que ao contrário de Dédalo conseguiram salvar Beck de uma morte certa.
Mas Beck necessitava de "...mais alguma coisa do que a habilidade de voar mais alto e mais depressa. Precisava do seu próprio dom. Precisava que " ... o seu pensamento entrasse em comunicação com o do pássaro guia..."










segunda-feira, novembro 10, 2008

Ciclo das Fadas VII - A Fada Lília e a Planta Misteriosa

As fadas são de uma maneira geral seres da natureza ou pelo menos inspirados por ela: dominam o ar, a terra, o fogo e a água e com eles fazem o mundo ficar um lugar mais bonito de convivência física e espiritual.
Os elementos que compõem esta nossa terra (sol, terra, fogo e ar) dão-lhes, muitas vezes os atributos com que desenvolvem os contactos com os seres humanos: umas são as fadas que acalmam tempestades do mar, outras apaziguam o vento das montanhas, algumas apagam o fogo das florestas e ainda outras cultivam as flores dos nossos jardins reais ou imaginários, cheios de papoilas, roseiras e trevos perfumados.
A Fada Lília, da nossa história, tinha precisamente este último atributo: ela era a fada que cuidava dos jardins. Era por assim dizer uma fada arquitecta paisagista que se preocupava com a beleza da paisagem, da sua configuração espacial e estética, dos seus valores culturais e biofísicos.(Ribeiro Teles, 2008)
Ela amava as plantas e as flores com todo o seu coração e o seu passatempo predilecto era"deitar-se no cimo do musgo macio, ver a erva crescer"... " pois tinha a certeza de que as folhinhas de erva cresciam mais depressa quando sabiam que ela estava a olhar para elas."
Certo dia, num passeio pela floresta, ("convirá dizer que as fadas nunca passeiam sozinhas na floresta por causa das cobras, das corujas e dos falcões") Lília encontra uma semente desconhecida que depois de plantada resultou numa planta feia, malcheirosa e esquisita.
Terá Lídia de arrancar para sempre a planta desconhecida? Consegurá ela impôr-se ao resto da comunidade do Plátano, onde vivem centenas de fadas?
Bom, isso é o que terão que descobrir juntamente com a Rainha Pomba, " o ser mais mágico de todos" que empleirada no seu Ovo garante a juventude eterna a quem viver sob a sua influência, lá na segunda estrela à direita, da Via Láctea?....

quinta-feira, outubro 09, 2008

Ciclo das Fadas VI - Sininho e Peter Pan


Fantasy is a natural human activity. It does not destroy or even insult Reason; and it does not either blunt the appetite for, nor obscure the perception of scientific verity. On the contrary. The keener and the clearer is the reason, the better fantasy will it make”.

Assim diz Tolkian, (2008:65) que desenvolve uma larga e profunda tese, no seu livro “On fairy-stories”, onde espelha a extraordinária génese do seu trabalho, como escritor de mundos fantásticos.

Peter Pan, de J.M.Barrie, é outra história de fadas que queremos partilhar convosco. Apesar de todos conhecermos a história do filme da Disney não será despiciendo ler, de novo, este romance, que se tornou rapidamente num dos famosos livros de literatura infantil, de todos os tempos.

A personagem de Peter, que não quer crescer, de Wendy e dos meninos da Terra do Nunca, que caíram dos carrinhos de bebé por causa de amas distraídas e do Capitão Gancho, com o seu braço de ferro, povoam os mundos da infância já há várias gerações.

Este livro também possui uma fada que pelo seu tamanho pareceria irrelevante num cenário de guerras da Terra do Nunca, entre animais selvagens, índios ferozes e piratas violentos.

Mas, esta FADA possui uma capacidade extraordinária de doação e de inclusivamente morrer por Peter Pan quando este, sem conhecimento do líquido envenenado, o ia beber de um fôlego. Sininho, in extremis, salva-o protagonizando um amor sincero e para lá de todos os limites racionais. Este amor “ (…) é uma possibilidade de vida da própria razão; a razão que renuncia ao amor renuncia à própria vida, à sua própria liberdade. O amor entendemo-lo como possibilidade de sempre transcender.” (Pereira, 2000:76)

Sininho está às portas da morte: “ A sua voz era tão sumida que, a princípio, ele já não conseguia ouvir o que ela dizia. Ela estava a dizer-lhe que acreditava poder melhorar, se as crianças passassem a acreditar nas fadas.

E elas certamente acreditam pois as suas palmas fizeram Sininho voar logo “mais alegre e despudorada do que nunca” (Barrie, 2005.163) fazendo-nos acreditar que a intenção de um desejo – um projecto – aliada ao gesto de bater as palmas – uma acção – (Carvalho, 95:56) produz um resultado que se assume como impulsionador da realidade, aqui realidade poética, mas que sem dúvida faz parte do mundo empírico histórico factual, pois nós também ainda acreditamos em fadas e também conseguimos voar!

segunda-feira, setembro 22, 2008

Ciclo das Fadas V - Histórias da Floresta, dos Gnomos e das Fadas

Pedindo emprestado o tempo e o espaço da nossa infância escolhemos mais uma vez um livro que nos conta histórias de fadas. A grande Fada da história diz que: " Também nós as fadas da história precisamos de umas férias...(1988:2)" Eis porque mandou a Flor-de -Liz, a Túlipa, a Ortiga, a Alperce e a Pinha Seca para umas curtas férias na aldeia dos gnomos.
"...it doesn't matter ...the important thing is the effect the stories have now on those who read them" diz Tolkian (1947:11) e esta história, de facto, teve uma resposta positiva não tento pelo texto que se desenrola num ambiente diversificado, desde a idade média até à vida contemporânea, mas sim pelas imagens e pelos temas que propõe.
As imagens podem criar oportunidades de desenvolvimento literário e estético tal qual como as palavras. Neste caso, relembram intertextualmente os desenhos de Albert Uderzo criador de Asterix. O movimento imprimido, as cores, as expressões faciais, por exemplo, contribuem para a sua imediata adesão e permitem uma função mimética, no sentido de que nos fazem voltar ao nosso ponto de partida, a infância.
Os temas para além de proporem respostas literárias, propõem também respostas avaliativas e críticas por parte do leitor. O concerto, Quem semeia ventos colhe tempestades, Um quarto de Lua são exemplos desta proposta avaliativa que se pode realizar, e muitas vezes se realiza de facto, de forma espontânea num monólogo interior.
A credibilidade das histórias de fadas não é contestada! Elas são reais, ou sonhadas, como em Alice no País das Maravilhas. Não importa! O importante, de facto, é que elas são mundos alternativos onde o mundo empírico histórico factual só existe para proporcionar uma verosimelhança configurativa. Assim, aparecem os temas A varinha mágica, O espelho mágico e A vingança do anel, a lembrar-nos mais uma vez Tolkian e o seu "Lord of the Rings".
O que são histórias de fadas? Para que servem? Ainda hoje nos perguntamos mas, elas são "...a legitimate literary genre, not confined to scholarly study but meant for readerly enjoyment by adults and children alike. " (Tolkian,1947:12)

sábado, maio 31, 2008

Ciclo das fadas (IV) - A Fada Oriana

AS FADAS
As fadas...eu creio nelas!
Umas são moças e belas,
Outras, velhas de pasmar...
Umas vivem nos rochedos,
Outras, à beira do mar...
Algumas em fonte fria
Escondem-se, enquanto é dia,
Saem só ao escurecer...
Outras, debaixo da terra,
Nas grutas verdes da serra,
É que se vão esconder...


Antero de Quental

A fada Oriana de Sophia de Mello Bryner Andresen era também, como a fada de Antero de Quental, uma fada que vivia "dançando nos campos, nos montes, nos bosques, nos jardins e nas praias."(Andresen, 3) Aliás quase toda a mística das histórias de fadas se desenrola nalguns destes lugares. As fadas nunca vivem aprisionadas, fechadas, escondidas. Elas vivem na natureza, são divindades da natureza associadas especialmente às árvores, aos bosques, às águas das fontes e às flores de jardim.
A fada Oriana, como o próprio texto nos diz, é uma fada boa, bonita, alegre e feliz, a quem um dia a Rainha das Fadas incumbiu a tarefa de cuidar de uma floresta, bem como de todos os homens, animais e plantas que ali viviam. Ela era a fada madrinha de uma pobre velha, de um pobre lenhador e de um pobre moleiro.O mundo exterior (macrocosmo) e mundo humano (microcosmo) estavam a seu cargo e devido a isso foi-lhe permitido usar das suas asas e da sua varinha de condão.
Segundo Chevalier (1999:67), as fadas representam simbolicamente a capacidade que o homem possui para construir, na imaginação, os projetos que ele próprio não pode realizar. De facto, a suprema capacidade de ajudar e cuidar dos outros - sejam eles coisas ou animais - a devoção da ajuda é das tarefas mais difíceis de ser conseguida pelos seres humanos pois "Parece evidente que os homens são levados, por um instinto ou predisposição natural(...)" (Hume.76)
Ao salvar um peixe da morte conseguiu ver o seu reflexo na água e achou-se muito bela e a paixão pela sua beleza empurrou-a para o mundo real, empirico-histórico factual onde o desprezo e o abandono do outro são apanágio da condição humana."Ao voltar-se sobre si própria, sobre a sua imagem física, num explícito movimento egocêntrico, ao qual não falta, inclusivé, a contemplação narcísica nas águas "(Silva, 2) deixou de visitar o poeta e, um por um, foi abandonando todos os homens, animais e plantas que viviam na floresta, à sua sorte.
O castigo, para esta fada foi sair do paraíso, simbolizado pelos dois objectos que caracterizam as fadas: a varinha de condão e as asas, que lhe foram então negados não os podendo nunca mais usar. Também lhe foi vedado o contacto com todos os seres e animais que aliás há muito tempo já tinham partido para longe. Também o poeta, o único ser humano que a podia ver, entrou em estado de tristeza total, ao ser privado do seu contacto e do contacto com a natureza.
Ao apartar-se do seu destino primordial e seguindo um caminho manifestamente diferente para o qual tinha sido fadada, "Oriana debate-se numa tentativa sofrida de religação e de reabertura generosa às restantes personagens, procurando repor a ordem inicial e redimir-se do mal provocado (...). (Silva, 3)
O altruismo superou o egoismo assim como o espaço natural predominou sobre o espaço urbano, local onde em última instãncia, vivem nos dias de hoje, todos os males do mundo. Oriana descobriu que "O Mundo só está vivo para a pessoa que desperta para ele. Só o relacionamento com os outros nos desperta do perigo de deixar nossa vida adormecida." (Bettelheim,1976:134)





quinta-feira, maio 22, 2008

Ciclo das Fadas (3)

"Como pode uma fada tão pequena criar confusões tão grandes? A sua varinha está torta, as suas asas estão cheias de fita-cola e os seus truques causam sempre confusão! Mas é a fada mais querida de que há memória!" lê-se na capa do livro "A Fada atribulada - Uma Competição Mágica".

E aqui temos nós mais um livro, em que a personagem principal é uma fada! Mas esta, ainda anda na escola, onde a professora Asafirme dirige as suas alunas com amor, sem as deixar desviar, um segundo que seja, das suas obrigações. Contudo, a Fada Atribulada nem sempre está disposta a fazer as actividades da escola das fadas com diligência: " enquanto vestia o uniforme cor-de-rosa e calçava os seus sapatinhos de fada" pensava como "agora as aulas difíceis iam recomeçar!"

As histórias de fadas lembram-me sempre Nietzsche (1872) e a sua relação entre ciência e mito. Ele diz-nos que o aniquilamento do mito determina a expulsão dos poetas da República. Por poetas ele queria dizer os sonhadores, os criadores de utopias, e todos aqueles que carregam a chama do reencantamento. Reencantamento não como uma volta a um passado, mas como uma restauração ideal que reaproprie o presente, naquilo que o presente ofereçe como possibilidade de encanto.

As fadas e as suas histórias são isto mesmo! Uma restauração da inocência perdida que todos buscamos e nem sempre sabemos encontrar!O que queremos dizer com isto? Que muitas vezes o sentido que enunciamos ficou vazio, razão pela qual é necessário reencontrar a verdade da palavra: a união da palavra com a coisa enunciada. Daí a plenitude da poesia e do poder da palavra que as fadas, com a sua varinha de condão, tão bem sabem usar para fazer acontecer os nossos mais ínfimos desejos! Mas para isso, é necessário virar o mundo de cabeça para baixo. ..para podermos encontrar, outra vez, a sensação mágica das coisas.

Quanto à Fada Atribulada, da nossa história, ela ganhou as Olímpiadas das Fadas, que moravam na casa da árvore! Ela teve que saltar, pular, andar a cavalo, trepar pela corda, sempre com a Fada Arrepiada no seu encalço, a pregar partidas de toda a ordem! Os obstáculos vivenciados fizeram contudo da Fada Atribulada uma verdadeira FADA , que usava a sua arte como um exercício sensitivo e intuitivo, para uma nova forma de perceber, estar e pertencer ao mundo, tudo isto ligado a uma busca de soluções para os problemas que nos atropelam e ameaçam a nossa própria sobrevivência.

Termino este pequeno texto, sobre esta fada, que nos remete, como todas as fadas, para os mundos imaginários, apoiados nas raízes do passado e na criatividade do presente e que resgatam poéticas que dão um sentido à vida pela alegria, pelo lúdico e pela imaginação.

quarta-feira, maio 14, 2008

Ciclo das Fadas(2) - As Fadas do Vento de Anna Dale

Alguém já se imaginou numa história, voando pelos céus, em Londres do século 20? Bom, a história desta escritora britânica conta-nos como Joe, um rapazinho normal, surpreende todos quando conhece e convive com Twiggy, a sua amiga inseparável. Juntos vão resolver o mistério do desaparecimento de uma página do livro mágico e, nessa sua demanda, tornam-se inseparáveis e verdadeiros amigos.
Contudo, muitas vezes, Joe deixa a sua amiga em perigo, embora ela nutra por ele verdadeiros sentimentos de lealdade. Empurrado por impulsos destrutivos do seu inconsciente, Joe não percebe que, frequentemente, o perigo é real e verdadeiro, vindo ora do mundo empírico-histórico factual ora do mundo imaginário.
Mas, Joe reconsidera e ao compreender que deixou Twiggy realmente em perigo volta a correr para a salvar.
Neste livro, as fadas do vento têm um papel, leve como a brisa. A sua presença, sempre suave e subtil percorre o texto para nos lembrar que as suas palavras mágicas são sempre escutadas por quem tem ouvidos de criança. São elas também que nos dão “os nossos poderes mágicos” (2004:190) que são as nossas capacidades de lutar sempre o bom combate, pelo lado da verdade do bem e do belo.
Contudo, as palavras mágicas são apenas “murmuradas …aos poucos escolhidos…”. Os que não fazem parte desse mundo, do outro lado do espelho, pensam que “… o poder de um grande intelecto… “ pode suplantar “a magia das fadas do vento e silenciá-las para sempre e libertando o mundo da magia”. (2004:191)

quinta-feira, abril 24, 2008

Ciclo das Fadas (1) - AS FADAS VERDES

Para iniciar o ciclo das fadas, trazemos aqui um livro de Matilde Rosa Araújo: As Fadas Verdes.
Mas antes, não podemos deixar de referir e lembrar Albert Einstein,quando nos ensinou que: "If you want your children to be intelligent, read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales." De facto, inúmeros escritores, poetas, cientistas, psicólogos e pedagogos têm referido a importância do Imaginário na vida dos seres humanos pois a sua ausência amarra as imagens no tempo e no espaço e consequentemente aprisiona o sentido e os sentidos da vida.
Pelo Imaginário, descobrimos a verdade. Não aquela que vem de fora para dentro, mas como dizia Poirot, esse detective extraordinário inventado por Agatha Christie, "...a descoberta da verdade tem de vir de dentro para fora e nunca de fora para dentro." (Christie, 1824)
Alguns já nascem com uma capacidade exponencial de construir imaginários, e daí resultam personalidades marcantes na vida artística , literária ou científica. Todos nos lembramos de Leonardo D'Avinci e dos seus desenhos visionários e futuristas, de Shakespeare e da sua capacidade de teatralizar com refinada sofisticação a natureza humana, de J.R.R. Tolkian e da sua criação de mundos ou universos alternativos e de Fernando Pessoa e da sua multifacetada criação de outras vidas imaginárias, através dos heterónimos. Tanto eles como outros, com a sua percepção crítica e arguta da realidade, catapultaram a mesma, para os patamares mais altos da actividade humana que é a Imaginação criadora Artística.
As fadas, esses seres que povoam o nosso imaginário colectivo, permitem-nos também, com a sua simplicidade, chegar a esse supremo nível de aprendizagem artística que é o " Olhar para lá das aparências, e dar o salto para o lado de lá ... para chegar à raiz ... para onde se joga a poesia ou o novo sentido das coisas". (Meneres, 2003).
Elas garantem-nos, em última instância, que há maneiras diferentes de ver o mundo, formas inovadoras de sentir o aqui e o agora, como contemporâneos uns dos outros, sentindo que as dificuldades podem ser vencidas, as florestas atravessadas e os caminhos de espinhos cortados. As fadas pacificam-nos, instigam-nos a olhar para a natureza, para o verde das plantas, das árvores, das folhas e que por serem dessa cor verde, matizada de vários tons, misteriosamente ressoam a refúgio de esperança, nesta nossa existência, que se diz a curto prazo e para a qual não sabemos "... what tomorrow will bring... " .(Pessoa, 1935)
Esperamos, com a leitura das Fadas Verdes e ao iniciar este Ciclo das Fadas, saborear a sua magia ao alcance do pensamento e também "... divined the potency of the words, and the wonder of things, such as stone, and wood, and iron; tree and grass; house and fire; bread and wine." (Tolkian, 1939)

sexta-feira, abril 18, 2008

O ciclo das fadas

"If you want your children to be intelligent, read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales."

"When I examine myself and my methods of thought, I come to the conclusion that the gift of fantasy has meant more to me than any talent for abstract, positive thinking."


~Albert Einstein~

LED Text Scroller

Na minha terra conta-se que, no inverno, à lareira, quando ainda não havia as modernices de hoje, pais e avós juntavam-se para contar histórias. As mães diziam: Venham meninos vamos às contas! Claro que não eram só os meninos que se juntavam. Era a família inteira e mais os vizinhos e até os animais que lá por casa passeavam se aninhavam para saborear mais uma noite de histórias, contos, ditos e mexericos...